24 March 2011

Associação Panamazônia - Meu Discurso

Esta semana recebi generosa homenagem "Grandes Amazônidas", em conjunto com os ilustres Márcio Souza (grande escritor), Marilene Correa (ex SECT, UEA), Antonio Silva (FIEAM) e Roberto Ramos (UFRR). Segue meu breve discurso no evento:


Gostaria de agradecer a honra, sem dúvida um pouco prematura na minha carreira como amazônida. Tenho dúvidas se minha curta carreira já merece tal reconhecimento, junto a de grandes líderes, grandes escritores, grandes empresários. Se considerarmos este prêmio como o Oscar Amazônico, meus poucos anos me qualificam à categoria de “Curta Metragem”.

Tomo a oportunidade de saudar a Associação Panamazônia. Dentre as muitas ONGs da região, esta é a única cujo foco é o homem da Amazônia e não o meio ambiente. É uma ONG marrom, da cor da pele do caboclo, e não verde. É um justo reconhecimento do papel do Amazônida no centro das discussões do futuro da região.

Este homem amazônico teve alguns avanços nos últimos anos. Melhorou-se alguns indicatores de educação, a pujança econômica de cidades como Manaus é notável na uma hora de trânsito que enfrentamos para chegar nesta cerimônia hoje. São muitos amazônidas que pela primeira vez puderam comprar um carro, graças em parte ao trabalho de alguns dos agraciados aqui hoje junto a indústrias e instituicões públicas.

Ainda assim, a grande maioria dos amazônidas ainda vive em profundo atraso. Poucos têm título de sua terra, poucos têm conta bancária, ainda viaja-se nos famigerados popopós. De onde vem este atraso? De políticas públicas históricas, feitas “para inglês ver” por gente sem compromisso com a Amazônia, fruto da rendição brasileira ao politicamente correto ambiental. Assim tomou conta da Amazônia a cultura do vale-tudo e o pragmatismo da ilegalidade.

É preciso retomar a discussão a respeito do futuro da Amazônia com os amazônidas ao centro dela. Devemos nos orgulhar de ter a floresta no Amazonas 98% de pé, é motivo para celebração; deve nos entristecer, entretanto, que nosso maior truinfo (baixo desmatamento) nasce do que não fizemos. Como seres humanos, esperamos nos próximos anos conquistar o desenvolvimento. Precisamos transformar floresta e rios da Amazônia, de acidentes geográficos, para ativos financeiros e espirituais.

- Denis Benchimol Minev
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