29 November 2009

Notas, provas e avaliações

Algumas das mais antigas lembranças que qualquer um de nós tem está ligada a notas escolares.  A partir das crianças mais jovens, nosso sistema escolar se baseia em sistemas de avaliação como ponto de partida para melhorias.  Meus sobrinhos Samuel e Eli, de dois e cinco anos, já chegam da escola com boletim aferindo sua sociabilidade, sua capacidade de concentração, sua coordenação, dentre outras habilidades.  Conforme os anos vão passando, estas avaliações evoluem para provas e vestibulares, chegando à carreira profissional como avaliações de desempenho.  Estas avaliações estão à base de qualquer sonhada meritocracia -- como pode alguém avançar sem saber, através de avaliação, seus pontos fracos e fortes?


Aqui, direciono-me diretamente aos servidores públicos.  Há sim uma grande relutância da parte de servidores públicos em seres avaliados, mas o motivo principal não é o que a sociedade imagina, ligado a falta de competitividade e energia.  O motivo principal é a comum arbitrariedade e injustiça perpetrada por líderes de instituições públicas, que muitas vezes se baseiam em apadrinhamentos, partidos políticos ou amizades e não em competência para outorgar crédito, aumentos ou cargos.  Caso houvesse um sistema de avaliação ligado a cargos, por exemplo, tal gestor mal-intencionado teria de burlar o sistema manipulando avaliações.  



Se no segmento privado isto ocorre e é grave, no setor público é de maior complexidade ainda, onde carreiras são mais longas e com menos mudanças.  Neste caso, uma avaliação ruim em um currículo pode prejudicar um histórico de produtividade e honestidade e comprometer uma carreira.  Mesmo com estas considerações em mente, entretanto, não há como fugir da realidade que avaliações são instrumentos essenciais de administração e auto-conhecimento.  O desafio se torna como desenhar avaliações que incluam parâmetros objetivos e subjetivos que evitem arbitrariedades mas que sirvam de guia para decisões de gestão.



Em muitos casos se decide utilizar avaliações de equipes ou instituições inteiras para julgar desempenho.  Há uma multitude de formas de fazê-lo, exemplos seguem: utilizar nota do IDEB e ENEM para avaliar escolas; aferir número de crimes em um bairro para avaliar a delegacia local; calcular a rapidez de processamento de requerimentos ou processos para julgar um departamento ou equipe; contar o volume de horas de treinamento recebido por servidores para avaliar o departamento de RH; calcular o número de turistas para julgar o desempenho do marketing estadual; dentre outros.  Avaliação de instituições como um todo são importantes e precisam ser feitas; o Governo Estadual tem hoje mais de 2 mil indicadores mensais que avaliam os mais diversos aspectos sociais, ambientais e econômicos do estado, além de suas instituições.  Visite o site www.e-siga.am.gov.br para vê-los.



Apesar disso, insisto que avaliações também precisam ter um componente pessoal.  É importante que servidores ou colaboradores com desempenho ruim o saibam -- imagine uma pessoa que passa uma vida inteira em uma função pensando que faz um bom trabalho saber, após vinte anos, que seu desempenho nunca foi bom; é no mínimo uma tremenda injustiça e no limite uma falha ética grave do seu supervisor/gestor.  Se você é gestor, reflita sobre o quanto os seus seguidores sabem das suas opiniões; se você é seguidor (e todos somos de alguém), exija que seu líder o informe do seu desempenho.  De preferência, exija um sistema de avaliação consistente e frequente para acompanhar sua evolução.  Como já dizia o grande mestre da administração Peter Drucker, cuja leitura há de enriquecer qualquer gestor, "somente conseguimos administrar aquilo que podemos mensurar".  










What gets measured, gets managed.


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28 November 2009

New promotion material for the state of Amazonas

There are two new publications in the link below that outline the major features of the state of Amazonas which make it a good place to invest.

There are two separate publications, one presenting the local economy and the main segments of opportunity such as natural resources, energy, tourism, industry, among others.

The other is an investors' guide to the Manaus Free Trade Zone, with all the opportunities it entails.


As a recognition of the efforts by the state to attract investment and to promote a good business environment, Amazonas has recently been named the 2nd (out of 26) best state in Brazil to invest.

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20 November 2009

Amazonas é o segundo melhor ambiente de negócios do Brasil, diz Estadão

Recente pesquisa feita por FIESP e Banco Mundial criou ranking de melhores ambientes para negócios dentre os estados brasileiros. Dentro deste ranking, o Amazonas se destaca em 2o lugar, atrás apenas do Distrito Federal e à frente de estados com economia bem maior como Minas (3o lugar) e São Paulo (11o lugar).

Ainda temos muito o que melhorar, mas uma breve celebração é justa.

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19 November 2009

Prêmio Samuel Benchimol - conheça os ganhadores

O Prêmio Samuel Benchimol busca selecionar e premiar idéias e projetos inovadores que busquem o desenvolvimento da Amazônia. É coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC).

Esta semana foi publicada a lista de agraciados de 2009, no link abaixo:

Conheça mais sobre o prêmio:

E por que não refletir a respeito dos problemas e possíveis soluções para a Amazônia, se candidatando para o Prêmio em 2010?
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15 November 2009

Vinte anos do Muro de Berlim

Esta semana comemorou-se os vinte anos da queda do muro de Berlim, símbolo do grande confronto do século XX.  O confronto da Guerra Fria, apesar do grande destaque recebido nos livros de história, desvanece no imaginário popular.  Quem lembra dos motivos que União Soviética e Estados Unidos brigavam?  Vinte anos atrás termos como Praça da Paz Celestial, Ceaucescu, Sakharov, Solidariedade e Perestroika carregavam consigo a vinculação com o destino humano.  Para a geração atual, somente buscando estes termos no Google ou Wikipedia.

Vale tentar lembrar o motivo de tanto drama com a queda de um simples muro.  Muros, através da história, foram construídos quase sempre com os mesmo propósitos: proteger aqueles do lado de dentro daqueles do lado de fora.  Onde quer que seja que você mora, olhe para o seu muro e reflita por um instante para que ele serve.  O Muro de Berlim, entretanto, era especial.  Ele era um muro que buscava impedir aqueles que estavam dentro de sair; a unica analogia é uma prisão.  Os governos comunistas do Leste Europeu e União Soviética aprisionaram seus cidadãos, por detrás deste muro, por quase meio século.  

Em meio a esta prisão de larga escala que englobava China, União Soviética e Leste Europeu e da qual o único resquício moderno é Cuba, ocorreram algumas das maiores tragédias humanas do século XX.  Alguns termos para procurar no Google seguem: holodomor, o Grande Expurgo, a Revolução Cultural, Khmer Vermelho, Gulag, apenas para citar os exemplos mais conhecidos que consumiram dezenas de milhões de vidas.  A ligação direta entre cada um destes casos é que a tragédia humana em cada um deles não foi causada por guerra, mas por políticas internas de governo.  Desafio o leitor a encontrar tragédia de magnitude semelhante que uma democracia tenha infligido ao seu próprio povo.  

A história é vasta (e fascinante), mas não cabe nestas breves linhas.  Resumo então o motivo da queda daquele muro a uma palavra: liberdade.  Faz-se importante então traduzir o que é liberdade no dia-a-dia.  Um cidadão livre pode buscar, ter e expor a opinião que quiser a respeito de qualquer pessoa, partido ou idéia -- por detrás do muro, iria-se preso por opiniões "indesejáveis" ou mesmo por posse de material ideológico "perigoso".  Um cidadão livre tem a segurança de que seu governo não vai agir com arbitrariedade contra ele -- por detrás do muro, sumia-se nas garras de polícias secretas sem motivo ou oportunidade de defesa ou morria-se de fome sem a oportunidade de trabalhar.  Um cidadão livre pode fazer o que bem quiser com sua propriedade ou vida, seguir a carreira que desejar, se movimentar ou se mudar conforme seu desejo -- por detrás do muro, o governo determinava seu destino profissional, econômico, político e geográfico.  

O Brasil, apesar de todos os defeitos, constitui-se neste início de século XXI de um país bastante livre.  Temos eleições abertas e competitivas, nossa imprensa é livre, nossos cidadãos são livres para escolher seu destino profissional, geográfico ou pessoal, nossa justiça oferece amplo espaço de defesa contra arbitrariedades ou expropriações por parte de governos, temos acesso a informações e produtos produzidos em quaisquer lugar do mundo.  Nós amazônidas devemos reconhecer ainda mais o valor desta liberdade, como território de fronteira para onde migraram povos sob opressão desde árabes a judeus, japoneses a nordestinos, todos migraram para uma Amazônia de oportunidades e liberdades.  

É neste contexto histórico que gostaria de conclamar o leitor a refletir por alguns minutos a respeito da sociedade na qual vivemos.  Celebremos também que, há parcos vinte anos atrás, quase 500 milhões de pessoas passaram a viver em sociedades livres.  Indignemo-nos toda vez que meios de imprensa de oposição sejam fechados, cidadãos tenham seu "sumiço" estatal ou sua saída impedida.  E que muros nunca sirvam para evitar nossa saída.

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11 November 2009

Thomas Friedman in the Amazon

Thomas Friedman (NY Times) writes about his visit to the Amazon and the importance of conserving rainforests in the global climate equation.

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01 November 2009

Mais Voos no Amazonas

Esta semana aprovou-se a concessão de incentivos para companhias aéreas no Amazonas que aumentem significativamente os serviços aéreos para o interior do estado.  É importante neste momento refletir a respeito das variáveis sociais e econômicas que ainda distanciam a economia moderna industrial de Manaus da economia rural do interior do estado.  

Uma pergunta simples: por que tão poucos profissionais escolhem viver no interior?  Será pela falta de oportunidades?  Argumento que há, dependendo da cidade, oportunidades que aparentam ser boas em áreas como saúde, educação, turismo, mineração, piscicultura, manejo florestal, mineração, energia, administração pública, dentre outras.  Entretanto, a densidade de profissionais de alta qualificação no interior é muito baixa dado o volume de oportunidades.  Tomemos o exemplo de médicos -- no interior as oportunidades de altos salários no início de carreira são mais acessíveis do que em Manaus, onde a competição obriga cada vez mais especialização.  Por que não temos mais médicos no interior?  Responder esta pergunta é abrir as portas ao desenvolvimento no interior.

A chave, acredito, reside em serviços.  Sem a prestação de serviços de qualidade, no mundo moderno, não se consegue atrair os melhores profissionais, a despeito de altos salários.  Tomemos o caso de telecomunicações; seja serviços de celular que hoje ainda não atingem 20 dos 62 municípios ou de internet que é ainda mais cara, inconstante e lenta que em Manaus ou serviços de TV a cabo com a vasta abundância de canais.  Modernos profissionais têm como exigência básica que os municípios onde residem tenham estes serviços disponíveis.  Há sem dúvida avanços, tanto na iniciativa privada com mais satélites e maior cobertura de celular (que incluirá todos os 62 municípios em Dezembro de 2010), quanto do setor público, com programas de telecentros, transmissão de aulas tanto do nível básico quanto universitário via IPTV a partir de Manaus e internet wi-fi pública; ainda assim, reconheça-se o longo caminho a ser percorrido pela frente.  O mesmo se aplica a segmentos como energia, comércio, saúde, educação, serviços públicos, dentre outros. 

No caso de transportes, a situação é também complexa.  Dadas nossas características, com poucas exceções as alternativas de transporte se limitam a fluvial e aérea.  Nos últimos anos tivemos uma série de dificuldades com empresas que operavam no estado, o que causou uma redução da malha de cobertura aérea no Amazonas, trazendo prejuízos significativos a municípios, tanto do ponto de vista econômico quanto social.  De acordo com os incentivos ora outorgados, há um compromisso de ampliação significativa dos destinos e frequências interligando interior nos próximos 3 anos.  Cidades como Tabatinga, Tefé, São Gabriel e Coari terão maior frequência de voos; cidades como Boca do Acre, Manicoré, Borba e Maués terão frequências estabelecidas em aviões de médio porte 40 a 70 passageiros.  Mais frequências também interligarão o Amazonas e Manaus a cidades de estados vizinhos, como Boa Vista, Cruzeiro do Sul e Rio Branco, fortalecendo ainda mais o hub de Manaus como distribuidor regional.  Adicionalmente, busca-se na proposta viabilizar voos interligando o Amazonas ao Peru, Guiana Francesa e Guiana.  Todas estas melhorias, é claro, são sujeitas a aprovação do estabelecimento de rotas pela ANAC, que regulamenta a aviação aérea.  A redução da ICMS sobre o combustível de aviação também possibilita a redução dos custos operacionais, o que acarretará melhores serviços e passagens mais baratas, uma demanda de longa data do interior.

Aqui entra sua parte.  Muitos amazonenses sonham com as praia de Fortaleza, Salinas ou Rio de Janeiro nas férias ou vão a São Paulo ou Miami para compras.  Reflita por um instante no quanto você conhece o seu estado.  Desde as belezas de cachoeiras e cultura indígena de São Gabriel, ao tucunaré de Barcelos, São Sebastião ou Nova Olinda, à tríplice fronteira de Tabatinga, à Mamirauá em Tefé, ao boi de Parintins, às praias e águas cristalinas de Maués, às inúmeras pousadas distribuídas pelo estado, o que você conhece?  Comenta-se muito do potencial turístico do Amazonas, mas se este reconhecimento não partir de nós mesmos, de onde então ele virá?  É um bom momento da pujança econômica de Manaus estender a mão ao nosso belo e preservado interior.


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