11 July 2009

O Homework do Turismo

Esta semana um amigo turista me relatou um triste evento: ele buscava tirar uma foto, no porto de Manaus, da marca mostrando que a atual cheia ultrapassou a de 1953.  Entretanto, ele foi impedido de tirar a foto pelos seguranças, duramente argumentando que apenas passageiros poderiam ter acesso àquela área.  Ele prontamente comprou passagens por R$4 para Cacau-Pirêra, imaginando ser este o preço para tirar as tais fotos.  Vil engano...  Assim que ele passou a catraca e se aproximou do local, o mesmo segurança, agora acompanhado, questionou se ele era um passageiro de verdade.  Caso não fosse, teria de se retirar imediatamente, mesmo tendo pago.  A estória vai além, mas interrompo aqui para ilustrar o quanto estamos despreparados para receber turistas em geral, e principalmente a torrente que virá com a Copa.

Turismo é um velho sonho amazonense.  Promessas de uma Disneylandia amazônica já fazem parte de lendas e imaginários da região.  Três são os aspectos principais de preparação para o turismo: infraestrutura, pessoal e promoção.  Abordemos um a um.

Infraestrutura.  Começemos pelo aeroporto -- avançamos um pouco no que diz respeito à recepção, com algumas melhorias pontuais no aeroporto, mas a verdade é que ainda se demora muito na chegada internacional ao Amazonas.  Nosso leque de opções internacionais mostra sinais de expansão: voos diretos para Atlanta, Miami, Panamá, Caracas e Bogotá tornam Manaus o centro definitivo de conexões do norte brasileiro.  Esta gama de voos gera um efeito de rede que tende a fortalecer ainda mais a infraestrutura aérea de Manaus.  Por exemplo, com o novo voo direto de Cuiabá a Manaus, mato-grossenses agora chegam em Miami em um total de 9 horas, ao invés de um total de 12 horas indo por São Paulo.

Em termos físicos, não basta o Teatro Amazonas e o Encontro das Águas para tornar-nos uma meca de turismo.  Algumas obras e itens recentes melhoram as condições de Manaus postular o título de cidade turística: um novo porto da CEASA, a construção do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, a renovação da Praça da Polícia e Batalhão-Museu,  o PROSAMIM (que ao menos remove grande vergonha nossa) e a Ponte (que além de meio de transporte também é marco na orla).  Parte da infraestrutura também inclui o fortalecimento de festivais, desde os do interior, com especial destaque para Parintins, à implantação dos ônibus de turismo que proporcionam uma alternativa agradável de visita à cidade.  Como frentes atuais de trabalho temos a construção do estádio (com enormes possibilidades de atração turística) e entorno (que possibilita a criação de um novo centro comercial e social da cidade) e a revitalização do centro de Manaus (ponto de trabalho essencial para valorizar nossa história em meio à melhoria de vida da cidade).

Nesta frente dou especial destaque ao Museu da Amazônia (MUSA), na Reserva Ducke, onde sonha-se estabelecer um museu vivo, aberto, onde através de passarelas e exposições integradas na floresta o turista poderá aprender um pouco do que a ciência já conhece sobre a floresta.  Teremos lá o tão sonhado aquário, que permitirá vislumbrar o comportamento de uma piraíba debaixo d´água (sonho pessoal meu), além de muitas atrações ligadas ao conhecimento indígena e à botânica local.  Imagina-se meios de capturar imagens em tempo real da vida na floresta, desde os grandes movimentos até a vida dos insetos e formigas.  Durante a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em _ a _ de julho, venha conhecer o protótipo do MUSA e dar sua contribuição.  Há aqui vasto campo para a iniciativa privada, desde a construção de novos hotéis ao estabelecimento de novas atrações turísticas; roubando o exemplo da Costa Rica, a iniciativa privada pode estabelecer teleféricos e rodas gigante em meio à floresta como forma de dar melhor vista da copa das árvores aos visitantes.

Quanto a recursos humanos, desde camareiras e cozinheiros a guias e gerentes, precisamos avançar no que diz respeito à prestação de serviços (desde serviços específicos a temas mais genéricos como o bom atendimento a clientes, vide primeiro parágrafo).  Línguas estrangeiras, principalmente o inglês, são essenciais para participar das oportunidades deste mercado.  Nos próximos meses devemos anunciar a estruturação de frentes de trabalho voltadas à Copa, mas você não deve esperar pelo Governo, se adiante e vá se preparando.

No que diz respeito à promoção, temos a marca Amazônia, talvez das melhores do mundo.  Temos como estado um histórico muito bom de redução de desmatamento e a reputação de melhor ponto de partida para a floresta.  Recentemente avançamos com um novo site de turismo, encorajo a todos que visitem o www.visitamazonas.am.gov.br; a internet é sem dúvida o novo campo de batalha de marketing de destinos, dentre os quais destaco a Costa Rica como o mais competente.

Sonhamos com um futuro melhor ligado à Copa.  Pairamos hoje sobre uma prancheta, mirando no horizonte e desenhando o que parece ser uma miragem.  Aperte sua visão, enxergue melhor sua miragem pessoal, rabisque-a e aperte o passo que 2014 se aproxima (faltam apenas 254 segundas feiras até o primeiro jogo).

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3 comments:

  1. Concordo com você, Denis, em gênero, número e grau, pricipalmente quanto a questão do preparo do nosso povo para receber os visitantes. Já é notória a fama que Manaus tem do péssimo atendimento, do vendedor sisudo, desmotivado, mal humorado e que só afasta o cliente. Penso que devemos trabalhar em cima dessa falha do mau atendimento com treinamento, conscientização, campanhas educativas, etc. Acho que seria um bom começo para preparação para a Copa de 2014.

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  2. Gostei muito quando você comentou sobre pegarmos o exemplo da Costa Rica, país que valoriza sua riqueza natural e lucra com isso. Sobre as possíveis e futuras obras pra Copa, tenho fé, mas me preocupa opiniões retrogradas como de um certo secretário do município que disse a um jornal ser a favor de uma nova modalidade de Expresso; sinceramente, repaginar aquilo que já não deu certo não me parece inteligente, se não fizermos um grande esforço pra mudança radical na mobilidade urbana como por exemplo o VLT ou Monotrilho e voltarmos ao famigerado expresso, aí tenho certeza de que não estaremos caminhando a lugar algum diferente da situação desastrosa e caótica que vivemos no transporte dessa cidade. Vamos ter coragem pra mudar de fato.

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  3. Praticamente anti-social, os seguranças do porto cometeram o cumulo do absurdo, tudo bem eles seguem ordens rigosoas mas eles tem que passar por uma reciclagem urgente, para que em 2014 estejam preparados para receber os visitantes, tem que reaprender não só como se comportar, mas um bom curso de ingles etc. É com essas pedras no caminho que deveremos contruir o grande castelo no final da estrada.

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