Esta semana um amigo turista me relatou um triste evento: ele buscava tirar uma foto, no porto de Manaus, da marca mostrando que a atual cheia ultrapassou a de 1953. Entretanto, ele foi impedido de tirar a foto pelos seguranças, duramente argumentando que apenas passageiros poderiam ter acesso àquela área. Ele prontamente comprou passagens por R$4 para Cacau-Pirêra, imaginando ser este o preço para tirar as tais fotos. Vil engano... Assim que ele passou a catraca e se aproximou do local, o mesmo segurança, agora acompanhado, questionou se ele era um passageiro de verdade. Caso não fosse, teria de se retirar imediatamente, mesmo tendo pago. A estória vai além, mas interrompo aqui para ilustrar o quanto estamos despreparados para receber turistas em geral, e principalmente a torrente que virá com a Copa.
Turismo é um velho sonho amazonense. Promessas de uma Disneylandia amazônica já fazem parte de lendas e imaginários da região. Três são os aspectos principais de preparação para o turismo: infraestrutura, pessoal e promoção. Abordemos um a um.
Infraestrutura. Começemos pelo aeroporto -- avançamos um pouco no que diz respeito à recepção, com algumas melhorias pontuais no aeroporto, mas a verdade é que ainda se demora muito na chegada internacional ao Amazonas. Nosso leque de opções internacionais mostra sinais de expansão: voos diretos para Atlanta, Miami, Panamá, Caracas e Bogotá tornam Manaus o centro definitivo de conexões do norte brasileiro. Esta gama de voos gera um efeito de rede que tende a fortalecer ainda mais a infraestrutura aérea de Manaus. Por exemplo, com o novo voo direto de Cuiabá a Manaus, mato-grossenses agora chegam em Miami em um total de 9 horas, ao invés de um total de 12 horas indo por São Paulo.
Em termos físicos, não basta o Teatro Amazonas e o Encontro das Águas para tornar-nos uma meca de turismo. Algumas obras e itens recentes melhoram as condições de Manaus postular o título de cidade turística: um novo porto da CEASA, a construção do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, a renovação da Praça da Polícia e Batalhão-Museu, o PROSAMIM (que ao menos remove grande vergonha nossa) e a Ponte (que além de meio de transporte também é marco na orla). Parte da infraestrutura também inclui o fortalecimento de festivais, desde os do interior, com especial destaque para Parintins, à implantação dos ônibus de turismo que proporcionam uma alternativa agradável de visita à cidade. Como frentes atuais de trabalho temos a construção do estádio (com enormes possibilidades de atração turística) e entorno (que possibilita a criação de um novo centro comercial e social da cidade) e a revitalização do centro de Manaus (ponto de trabalho essencial para valorizar nossa história em meio à melhoria de vida da cidade).
Nesta frente dou especial destaque ao Museu da Amazônia (MUSA), na Reserva Ducke, onde sonha-se estabelecer um museu vivo, aberto, onde através de passarelas e exposições integradas na floresta o turista poderá aprender um pouco do que a ciência já conhece sobre a floresta. Teremos lá o tão sonhado aquário, que permitirá vislumbrar o comportamento de uma piraíba debaixo d´água (sonho pessoal meu), além de muitas atrações ligadas ao conhecimento indígena e à botânica local. Imagina-se meios de capturar imagens em tempo real da vida na floresta, desde os grandes movimentos até a vida dos insetos e formigas. Durante a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em _ a _ de julho, venha conhecer o protótipo do MUSA e dar sua contribuição. Há aqui vasto campo para a iniciativa privada, desde a construção de novos hotéis ao estabelecimento de novas atrações turísticas; roubando o exemplo da Costa Rica, a iniciativa privada pode estabelecer teleféricos e rodas gigante em meio à floresta como forma de dar melhor vista da copa das árvores aos visitantes.
Quanto a recursos humanos, desde camareiras e cozinheiros a guias e gerentes, precisamos avançar no que diz respeito à prestação de serviços (desde serviços específicos a temas mais genéricos como o bom atendimento a clientes, vide primeiro parágrafo). Línguas estrangeiras, principalmente o inglês, são essenciais para participar das oportunidades deste mercado. Nos próximos meses devemos anunciar a estruturação de frentes de trabalho voltadas à Copa, mas você não deve esperar pelo Governo, se adiante e vá se preparando.
No que diz respeito à promoção, temos a marca Amazônia, talvez das melhores do mundo. Temos como estado um histórico muito bom de redução de desmatamento e a reputação de melhor ponto de partida para a floresta. Recentemente avançamos com um novo site de turismo, encorajo a todos que visitem o www.visitamazonas.am.gov.br; a internet é sem dúvida o novo campo de batalha de marketing de destinos, dentre os quais destaco a Costa Rica como o mais competente.
Sonhamos com um futuro melhor ligado à Copa. Pairamos hoje sobre uma prancheta, mirando no horizonte e desenhando o que parece ser uma miragem. Aperte sua visão, enxergue melhor sua miragem pessoal, rabisque-a e aperte o passo que 2014 se aproxima (faltam apenas 254 segundas feiras até o primeiro jogo).