26 July 2009

O Aniversário de Nelson Mandela


No dia 18 de julho Nelson Mandela completou 91 anos.  Ele, como cidadão do mundo, se enquadra no rol de pessoas que mudaram o destino da humanidade; há poucos como ele ainda vivos hoje, até mesmo porque o mundo tem uma triste tradição de ver tais figuras engolidas por atentados extremistas.  Neste rol, ainda vivo, creio que temos além dele apenas Gorbachev.  

Cabe por um momento lembrar um pouco da história de Mandela -- de líder pacifista em 1960, ele se transformou no principal sabotador e líder da guerrilha anti-apartheid até sua prisão em 1964.  O seu número de prisioneiro, 466-64, é hoje o nome de sua fundação, 46664.com (visite).  Passou 27 anos preso, até 1990.  Em 1991 se tornou líder do partido Congresso Nacional Africano e em 1994 foi eleito o primeiro presidente negro da África do Sul por cinco anos.  Ao término de seu mandato, retirou-se graciosamente da vida política, permitindo assim o fortalecimento das instituições nacionais, evitando também o ciclo interminável de ditadores que tentam se perpetuar no poder que é tão comum na África (para não entrar no tema na América Latina).  

Para a celebração, foi feito um grande concerto em Nova Iorque, onde inúmeras celebridades se amontoaram em elogios a Mandela.  Mandela fez um breve discurso, com os olhos brilhantes mas com a voz já denotando sua idade.  É a mensagem principal deste discurso que gostaria de transmitir aqui.  Apesar de todos os percalços da vida dele, ele afirma que o enorme trabalho da vida dele só foi possível com as pequenas ajudas de cidadãos do mundo que somadas derrubaram o apartheid.  

Exemplos: 
- Todos os cidadãos que se recusaram a tratar com sul-africanos que não publicamente denunciassem o sistema.
- Todos que protestaram contra o estabelecimento de embaixadas sul-africanas no exterior.
- Todos que enviaram 10 dólares de contribuição.
- Todos que explicaram aos seus filhos as maldades ocorrendo na África do Sul.

Cada um destes deu sua contribuição.  O trabalho de Mandela foi apenas de receber esta imensa força positiva mundial e canalizá-la em busca de democracia e liberdade em seu país.  Ele enfatizou que no mundo moderno você pode se manifestar com veemência de sua própria casa, desde contribuições por cartão de crédito até a utilização de sua rede de amigos via e-mail, orkut, twitter e outras redes sociais.  Nunca foi tão fácil para um cidadão comum se manifestar, nunca foi tão fácil obter informações de países normalmente isolados e desrespeitosos de direitos humanos, desde Coréia do Norte e Sudão a Myanmar e Cuba, nunca foi tão fácil descobrir e ajudar esforços importantes desde Cruz Vermelha e Anistia Internacional a Transparência Brasil e Instituto Ethos.  Com todas estas ferramentas, é importante não permitir que apenas os radicais se manifestem -- os canais estão abertos a todos, a começar pelo e-mail do Pridente Lula abaixo.


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22 July 2009

Aniversário de 91 anos de Nelson Mandela

Participe da campanha do aniversário de 91 anos de Nelson Mandela, "With my own two hands" (Com minha próprias duas mãos). Grave seu próprio vídeo junto a estrelas e dê sua contribuição a um mundo melhor.

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16 July 2009

Estatuto do Amazônida

por Samuel Benchimol

Confiando no êxito da próxima Conferência do Meio Ambiente e Desenvolvimento das Nações Unidas no próximo mês de julho – Rio/92;

Considerando a importância da Amazônia Brasileira pela sua grandeza continental, peculiaridade geo-regional e extensão de sua bacia hidrográfica;

Pensando na extrema variedade e complexidade dos seus ecossistemas florestais e a grande biodiversidade de suas espécies;

Enfatizando o rico potencial de seus varzeados, igapós, terras firmes, campos e cerrados e os seus complexos ecossistemas florestais;

Relembrando o enorme potencial de seu sistema fluvial para seu aproveitamento energético, transporte e navegação;

Recordando a abundância e variedade de seus recursos minerais, sua importância para a metalurgia e sua contribuição para a balança de pagamentos do país;

Examinando as recentes descobertas de hidrocarbonetos, petróleo e gás natural e suas grandes perspectivas de seu aproveitamento petro-químico e energético;

Registrando as conquistas já alcançadas no campo industrial, pela criação de pólos avançados e produção de bens e serviços, no campo agrícola com as culturas de subsistência e matérias-primas e nas áreas próprias de criação da pecuária bovina, bubalina e criatório em geral;

Rememorando o potencial de seus inúmeros pesqueiros de água doce, salobra e salgada e a riqueza que essa diversidade representa para a piscicultura e para a produção de alimentos;

Analisando a importância das populações nativas de índios, caboclos e nordestinos, que constituem a base de nossa formação histórica e humana;

Observando a riqueza cultural dessa pluralidade cultural e étnica, cuja integridade devemos preservar através da manutenção de sua identidade e/ou integração á sociedade nacional;

Auscultando a necessidade da educação em todos os níveis, da qualificação profissional, universitária e dos institutos de ciência, pesquisa e tecnologia e extensão;

Verificando que a cosmovisão da Amazônia Continental mostra que ela representa a vigésima parte da superfície terrestre, um quinto das disponibilidades mundiais de água doce, um terço das reservas mundiais de florestas latifodiadas, um décimo do biota universal, um quarto do volume mundial de carbono armazenado na sua biomassa vegetal, mais da metade do potencial hidrelétrico e de gás natural do Brasil e dos minérios de ferro, bauxita, manganês, cassiterita, caulim, ouro, potássio e outros; quatro décimos da superfície da América do Sul, três quintos do Brasil e apenas quatro milésimos da população mundial.

Levando em conta essa realidade e amparado em toda uma vida consagrada ao estudo deste pedaço do Brasil, lanço, aqui, o Estatuto do Amazônida para apreciação e debate dos participantes brasileiros e estrangeiros da Rio-92;

  1. Todo amazônida tem direito ao pleno uso, gozo e fruição dos seus recursos naturais existentes na área, desde que o faça de modo não destrutivo. Fica estabelecido o seu direito à subsistência, liberdade de escolha, livre iniciativa, trabalho produtivo e justiça social, e resguardada a sobrevivência das gerações futuras e ao convívio harmonioso com a natureza;

  1. Todo amazônida tem o direito a uma existência digna livre de quaisquer constrangimentos, injustiças e outras formas coercitivas que limitem o exercício de seus direitos de cidadania;

  1. Todo amazônida tem o direito de usufruir os produtos da floresta, cuja venda, a preços justos, lhe permita um padrão de vida digno;

  1. Todo amazônida tem o direito de utilizar os recursos pesqueiros de forma auto-sustentada, para garantir a alimentação de sua família, a elevação de seu padrão de vida e o exercício de atividade empresarial;

  1. Todo amazônida tem o direito – nas zonas apropriadas – de se beneficiar dos seus bens minerais existentes na região, dos recursos hídricos para transporte e geração de energia elétrica, do uso de terras para fins agrícolas e para formação de campos de criação;

  1. Todo amazônida tem o dever de proteger os recursos naturais florestais, hídricos e terrestres de forma a garantir o desenvolvimento econômico e social equilibrado, conservando-os e preservando-os para as gerações atuais e futuras;

  1. Todo amazônida tem o dever de resguardar as florestas naturais, parques nacionais, estações ecológicas, reservas biológicas, santuários da vida silvestres, monumentos cênicos e sítios arqueológicos;

  1. Todo amazônida tem o dever de exigir proteção ás populações indígenas, assegurando-lhes a demarcação e posse de suas terras e manutenção de sua identidade cultural;

  1. Todo amazônida tem o dever de lutar pelos seus direitos à saúde, educação, transporte, obras de infra-estrutura que permitam o desenvolvimento individual e de suas comunidades;

  1. Todo amazônida tem o dever de reagir contra toda e qualquer forma de intervenção internacional que implique o constrangimento à soberania brasileira, sem embargo ao reconhecimento à cooperação internacional, legítima e bem intencionada, para promoção de defesa do meio ambiente e do desenvolvimento sustenta da Amazônia.

Samuel Benchimol

Professor da Universidade do Amazonas

Janeiro/1992

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11 July 2009

O Homework do Turismo

Esta semana um amigo turista me relatou um triste evento: ele buscava tirar uma foto, no porto de Manaus, da marca mostrando que a atual cheia ultrapassou a de 1953.  Entretanto, ele foi impedido de tirar a foto pelos seguranças, duramente argumentando que apenas passageiros poderiam ter acesso àquela área.  Ele prontamente comprou passagens por R$4 para Cacau-Pirêra, imaginando ser este o preço para tirar as tais fotos.  Vil engano...  Assim que ele passou a catraca e se aproximou do local, o mesmo segurança, agora acompanhado, questionou se ele era um passageiro de verdade.  Caso não fosse, teria de se retirar imediatamente, mesmo tendo pago.  A estória vai além, mas interrompo aqui para ilustrar o quanto estamos despreparados para receber turistas em geral, e principalmente a torrente que virá com a Copa.

Turismo é um velho sonho amazonense.  Promessas de uma Disneylandia amazônica já fazem parte de lendas e imaginários da região.  Três são os aspectos principais de preparação para o turismo: infraestrutura, pessoal e promoção.  Abordemos um a um.

Infraestrutura.  Começemos pelo aeroporto -- avançamos um pouco no que diz respeito à recepção, com algumas melhorias pontuais no aeroporto, mas a verdade é que ainda se demora muito na chegada internacional ao Amazonas.  Nosso leque de opções internacionais mostra sinais de expansão: voos diretos para Atlanta, Miami, Panamá, Caracas e Bogotá tornam Manaus o centro definitivo de conexões do norte brasileiro.  Esta gama de voos gera um efeito de rede que tende a fortalecer ainda mais a infraestrutura aérea de Manaus.  Por exemplo, com o novo voo direto de Cuiabá a Manaus, mato-grossenses agora chegam em Miami em um total de 9 horas, ao invés de um total de 12 horas indo por São Paulo.

Em termos físicos, não basta o Teatro Amazonas e o Encontro das Águas para tornar-nos uma meca de turismo.  Algumas obras e itens recentes melhoram as condições de Manaus postular o título de cidade turística: um novo porto da CEASA, a construção do Centro Cultural dos Povos da Amazônia, a renovação da Praça da Polícia e Batalhão-Museu,  o PROSAMIM (que ao menos remove grande vergonha nossa) e a Ponte (que além de meio de transporte também é marco na orla).  Parte da infraestrutura também inclui o fortalecimento de festivais, desde os do interior, com especial destaque para Parintins, à implantação dos ônibus de turismo que proporcionam uma alternativa agradável de visita à cidade.  Como frentes atuais de trabalho temos a construção do estádio (com enormes possibilidades de atração turística) e entorno (que possibilita a criação de um novo centro comercial e social da cidade) e a revitalização do centro de Manaus (ponto de trabalho essencial para valorizar nossa história em meio à melhoria de vida da cidade).

Nesta frente dou especial destaque ao Museu da Amazônia (MUSA), na Reserva Ducke, onde sonha-se estabelecer um museu vivo, aberto, onde através de passarelas e exposições integradas na floresta o turista poderá aprender um pouco do que a ciência já conhece sobre a floresta.  Teremos lá o tão sonhado aquário, que permitirá vislumbrar o comportamento de uma piraíba debaixo d´água (sonho pessoal meu), além de muitas atrações ligadas ao conhecimento indígena e à botânica local.  Imagina-se meios de capturar imagens em tempo real da vida na floresta, desde os grandes movimentos até a vida dos insetos e formigas.  Durante a reunião da SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência) em _ a _ de julho, venha conhecer o protótipo do MUSA e dar sua contribuição.  Há aqui vasto campo para a iniciativa privada, desde a construção de novos hotéis ao estabelecimento de novas atrações turísticas; roubando o exemplo da Costa Rica, a iniciativa privada pode estabelecer teleféricos e rodas gigante em meio à floresta como forma de dar melhor vista da copa das árvores aos visitantes.

Quanto a recursos humanos, desde camareiras e cozinheiros a guias e gerentes, precisamos avançar no que diz respeito à prestação de serviços (desde serviços específicos a temas mais genéricos como o bom atendimento a clientes, vide primeiro parágrafo).  Línguas estrangeiras, principalmente o inglês, são essenciais para participar das oportunidades deste mercado.  Nos próximos meses devemos anunciar a estruturação de frentes de trabalho voltadas à Copa, mas você não deve esperar pelo Governo, se adiante e vá se preparando.

No que diz respeito à promoção, temos a marca Amazônia, talvez das melhores do mundo.  Temos como estado um histórico muito bom de redução de desmatamento e a reputação de melhor ponto de partida para a floresta.  Recentemente avançamos com um novo site de turismo, encorajo a todos que visitem o www.visitamazonas.am.gov.br; a internet é sem dúvida o novo campo de batalha de marketing de destinos, dentre os quais destaco a Costa Rica como o mais competente.

Sonhamos com um futuro melhor ligado à Copa.  Pairamos hoje sobre uma prancheta, mirando no horizonte e desenhando o que parece ser uma miragem.  Aperte sua visão, enxergue melhor sua miragem pessoal, rabisque-a e aperte o passo que 2014 se aproxima (faltam apenas 254 segundas feiras até o primeiro jogo).

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