O Projeto Copa 2014 é um projeto complexo, no qual algumas decisões foram tomadas baseadas nas melhores estimativas disponíveis. Com a decisão de localização do estádio foi assim. Basicamente, nosso estádio e entorno deve custar aproximadamente R$500 milhões -- nossa estratégia frente a FIFA para ser uma cidade selecionada foi de fazer um estádio único, com espírito amazônico (dado o desenho de cesta indígena), o que certamente onera o projeto. Para contrabalancear estes custos, consideramos três itens adicionais: 1) a valorização do entorno do estádio, que em grande parte já pertence ao estado, o que pode ser vendido ou concedido com grande rentabilidade, especialmente considerando-se a ótima localização do empreendimento na geografia de Manaus, 2) a venda de direitos de marketing (conhecidos como naming rights) sobre um estádio que é central na cidade e é visto constantemente no dia-a-dia de todos e 3) a possibilidade da criação de um grande centro comercial, a rivalizar com os grandes shoppings da cidade, acoplado ao estádio, o que só seria possível se o estádio estiver em local de grande circulação da cidade.
Em suma, devemos sim gastar mais demolindo o Vivaldão e construindo um novo estádio no mesmo local, entretanto recuperaremos parte deste gasto com valorização imobiliária, marketing e centro comercial. Fazer o estádio em outra localização não permitiria usufruir com tanta intensidade destes três benefícios. Algumas vantagens adicionais incluem o plano de passagem do novo meio de transporte público (seja VLT ou monotrilho) na Constantino Nery e a economia com a manutenção do Vivaldão atual (este sim, sem nenhuma viabilidade econômica). Não foi uma decisão simples e certamente envolve um número de riscos. Lembre-se que esta decisão foi tomada em meio a uma disputa ferrenha sobre qual cidade seria escolhida para a Copa; Belém, por exemplo, optou por um projeto bem menos imponente e complexo.
Gostaria, além de dar estas explicações, de estimular o debate e a reflexão a respeito da Copa. Além de uma oportunidade de renovação física de nossa cidade, por que não buscar uma renovação espiritual? Num momento em que o Brasil adota uma postura mais proativa no mundo, num momento em que o Amazonas ganha importância não só ambiental mas também econômica, num momento em que nossa democracia se solidifica com um governante forte que aceita a alternância de poder, nós também precisamos assumir mais responsabilidades. Estas responsabilidades vão desde se preocupar com as armas nucleares na Coréia do Norte com a sujeira de Sarneys e Agacieis no Senado Federal. Nossas responsabilidade como cidadãos são de monitorar tanto os direitos humanos, sejam eles com genocídio no Sudão ou com prostituição infantil em Parintins, quanto o uso do dinheiro público, seja ele no Senado Federal com atos secretos ou com qualquer projeto estadual ou municipal, inclusive os relacionados à Copa.
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