25 June 2009

As Contas da Copa - Manaus

Gostaria inicialmente de saudar os críticos e as críticas recebidas durante as últimas duas semanas, a respeito da decisão de demolir o Vivaldão.  Aceitamos estas críticas na certeza de que são feitas com as melhores das intenções.  

O Projeto Copa 2014 é um projeto complexo, no qual algumas decisões foram tomadas baseadas nas melhores estimativas disponíveis.  Com a decisão de localização do estádio foi assim.  Basicamente, nosso estádio e entorno deve custar aproximadamente R$500 milhões -- nossa estratégia frente a FIFA para ser uma cidade selecionada foi de fazer um estádio único, com espírito amazônico (dado o desenho de cesta indígena), o que certamente onera o projeto.  Para contrabalancear estes custos, consideramos três itens adicionais: 1) a valorização do entorno do estádio, que em grande parte já pertence ao estado, o que pode ser vendido ou concedido com grande rentabilidade, especialmente considerando-se a ótima localização do empreendimento na geografia de Manaus, 2) a venda de direitos de marketing (conhecidos como naming rights) sobre um estádio que é central na cidade e é visto constantemente no dia-a-dia de todos e 3) a possibilidade da criação de um grande centro comercial, a rivalizar com os grandes shoppings da cidade, acoplado ao estádio, o que só seria possível se o estádio estiver em local de grande circulação da cidade.

Em suma, devemos sim gastar mais demolindo o Vivaldão e construindo um novo estádio no mesmo local, entretanto recuperaremos parte deste gasto com valorização imobiliária, marketing e centro comercial.  Fazer o estádio em outra localização não permitiria usufruir com tanta intensidade destes três benefícios.  Algumas vantagens adicionais incluem o plano de passagem do novo meio de transporte público (seja VLT ou monotrilho) na Constantino Nery e a economia com a manutenção do Vivaldão atual (este sim, sem nenhuma viabilidade econômica).  Não foi uma decisão simples e certamente envolve um número de riscos.  Lembre-se que esta decisão foi tomada em meio a uma disputa ferrenha sobre qual cidade seria escolhida para a Copa; Belém, por exemplo, optou por um projeto bem menos imponente e complexo.

Gostaria, além de dar estas explicações, de estimular o debate e a reflexão a respeito da Copa.  Além de uma oportunidade de renovação física de nossa cidade, por que não buscar uma renovação espiritual?  Num momento em que o Brasil adota uma postura mais proativa no mundo, num momento em que o Amazonas ganha importância não só ambiental mas também econômica, num momento em que nossa democracia se solidifica com um governante forte que aceita a alternância de poder, nós também precisamos assumir mais responsabilidades.  Estas responsabilidades vão desde se preocupar com as armas nucleares na Coréia do Norte com a sujeira de Sarneys e Agacieis no Senado Federal.  Nossas responsabilidade como cidadãos são de monitorar tanto os direitos humanos, sejam eles com genocídio no Sudão ou com prostituição infantil em Parintins, quanto o uso do dinheiro público, seja ele no Senado Federal com atos secretos ou com qualquer projeto estadual ou municipal, inclusive os relacionados à Copa.  



Reação:

3 comments:

  1. ae denis só to conhecendo teu blog agora atraves do twitter, entao ae vai um comentario atrasado..

    concordo que a melhor opção era demolir o vivaldão e construir um novo.. primeiro pq a cidade nao tem como manter dois estadios grandes com o futebol praticado aqui.. outro motivo é o lance do transporte público que você falou (VLT ou mnotrilho).. só queria acrescentar duas coisas..

    uma é que eu acho que poderia ser decidido logo o que vai ser, se VLT ou o outro (confesso que não sei como funciona a burocracia).. pq a cada dia que passa será menos tempo para o transporte funcionar a contento.. e acho que a chance de o projeto dar certo é se for realizado até 2013 ou 2014.. depois disso, a pressa não vai ser a mesma..

    outra é sobre o naming right que você falou para o estádio.. soube que a fifa nao autoriza nome de empresas que não sejam parceiras da copa em nome de estádios ou de empresa nenhuma, nao sei.. no estádio do bayern de munique, por exemplo, se chama Allianz Arena o tempo todo, mas durante a Copa teve o nome estranho de Fifa world cup munich stadium ou algo assim.. lá deu certo pq é bayern de munique.. com esse nosso futebol, nao sei se terá o mesmo apelo..

    valeu pela atenção

    abraços

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  2. ei denis, o ex-prefeito de curitiba, jaime lerner, apresentou um projeto interessante sobre o BRT, uma alternativa aos VLT e monotrilhos.. me pareceu algo viável..

    tem até uma matéria reduzida sobre isso na edição deste domingo (19) do diário do amazonas

    como anda o projeto daqui de manaus?

    abração

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  3. Caro Rafael e demais interessados, o BRT nada mais é do que o famigerado "esstresso" que tentaram inplantar aqui em Manaus com aqueles ônibus enormes e poluidores entupindo nossas já caóticas avenidas. Chamem do que quiser, Bus Rapid Transit ou Expresso dá tudo no mesmo, é tudo enrrolação pois nossa cidade não aguenta mais o pior transporte público do Brasil nas ruas feitas pra carroça, não funcionou sendo mal implantado pelo Alfredo e não vai resolver sendo implantado por empresa francesa contratada pela prefeitura como já ouvi falar. BOTEM UMA COISA NA CABEÇA, ENCHER A CIDADE DE MAIS ÔNIBUS E CADA VEZ MAIORES NÃO VAI RESOLVER !!! É mediocre, mas eu já li que a prefeitura já se decidiu por mais essa enganação>>> engarrafamento de ônibus monstruosos, mais poluição e competição com os carros, atrasos, demora, quebra desses ônibus movidos a fumaça preta e não eletricidade como seria com o VLT ou Monotrilho. Sinceramente é desanimador e ainda por cima nos sentimos uns idiotas de ter que assistir a prefeitura reinventar o estresso com um nome diferente BRT. Nem sei se dará tempo de dizer NÃO a mais essa enganação pois parece-me que já foi tudo acertado, ou estou enganado ? Desculpe Denis, mas eu tinha q desabafar, gostaria muito que esse problema fosse da conta do governo e de sua secretaria, tenho certeza que seria resolvido de outra maneira. Ufffa, disse e pronto. Abraço

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