11 April 2009

Quem quer ser um piscicultor milionário (em 2029)?

Há seis segmentos econômicos que consideramos prioritários ao futuro amazonense: 1) indústria, 2) turismo, 3) energia, 4) serviços, 5) recursos naturais e agro-silvicultura e 6) serviços ambientais.  Tomo aqui a oportunidade de focar dentro da agricultura, em temas como silvicultura e piscicultura.  Há dois objetivos principais: a) convencer a todos que é preciso sim ter atividades rurais no Amazonas, obviamente sempre pautadas por sustentabilidade ambiental, e b) encorajar alguns potenciais empreendedores (você). 

Excluindo-se Manaus, Coari e Presidente Figueiredo, todos os demais municípios do Amazonas têm como vocação principal e muitas vezes única a atividade rural, seja ela pesca, extrativismo, pecuária, manejo florestal, silvicultura, agricultura ou piscicultura.  Mais da metade dos amazonenses lá vivem.  É desnecessário e injusto pedir que vivam em meio a um santuário florestal; é mito criado em gabinete de Brasília achar que é possível banir agricultura no Amazonas.  É apropriado e desejável que se busque boas práticas de utilização do solo com alta produtividade (e consequente renda) em conjuntura com a consevação de nosso patrimônio ambiental.  Para início de conversa, já temos 2% de nosso território desmatado, o que equivale a mais de 3 milhões de hectares, que por si só seriam suficientes para grandiosa produção rural.  

Começo pela piscicultura.  As melhores práticas, com alevinos de qualidade, ração apropriada, tanques adequados e monitoramento veterinário, permitem uma produtividade de entre 8 e 10 toneladas por hectare por ano, seja de matrinxã ou de tambaqui (as duas espécies mais estudadas e melhor conhecidas).  A um preço conservador de R$5 por quilo de peixe, a renda anual atingiria R$45 mil por hectare por ano.  Um módulo produtivo de 10 hectares proporcionaria renda de R$450 mil.  Metade desta renda em geral é gasta com ração e um quinto é atribuível a outras despesas (energia, água, mão-de-obra, etc.), deixando um lucro de cerca de R$130 mil (antes da dentada do leão).  

Comparemos este cenário com a tradição amazônida de plantar mandioca.  Um hectare, com tecnologia tradicional, produz cerca de 10 toneladas por hectare por ano.  Estas geram aproximadamente 2,5 toneladas de farinha, ao preço médio (no produtor) de R$1 por quilo, gerando renda de R$2,5 mil por ano.  É claro que grande parte desta produção serve de subsistência familiar, sobrando menos da metade.  Dado alto volume de trabalho, quando este não é mecanizado, cada família pode cuidar de pouco mais de um hectare.  Está assim garantida a subsistência e institucionalizada a pobreza eterna.  Com módulos produtivos maiores e melhor tecnologia e mecanização, atinge-se até 30 toneladas por hectare; com um pouco de tecnologia, produz-se fécula de mandioca, de grande valor agregado e demanda de quase 100 mil toneladas apenas em Manaus; quebra-se assim o ciclo de pobreza sem fim ribeirinho.  

Na mesma categoria do "um hectare de mandioca" está a pecuária extensiva; em um hectare a produtividade máxima anual é de 200 quilos (um boi) e o dano ambiental é máximo.  É imperativo eliminar de nosso estado esta pecuária extensiva de baixa tecnologia, que assim como a mandioca de um hectare renova o ciclo de pobreza no qual nosso caboclo está imerso.  Entretanto a pecuária extensiva assim como a mandioca são de simples e barata implantação. 

Aos investidores mais planejados, temos a silvicultura de espécies como teca, mogno, borracha e pau-rosa.  Estas, apesar da necessidade de um capital de giro elevado, têm o potencial de verdadeiro enriquecimento a longo prazo.  Por exemplo, aos preços atuais, um m3 de mogno atinge cerca de R$5 mil.

Outras alternativas incluem a citricultura, o dendê, a criação de abelhas, a pecuária e caprinocultura intensivas, dentre outros.  Tomamos uma decisão estratégica de sermos o estado mais bem preservado do Brasil (potencialmente do mundo).  Esta decisão não está em conflito com uma boa utilização das áreas já desmatadas e de baixa produtividade.  E mesmo do ponto de vista ambiental, antes decidirmos ativamente as formas que queremos utilizar nosso território que deixar que atividades de baixa produtividade como a pecuária extensiva o ocupe.

Parto com um simples proposta - seja um milionário em 20 anos.  Com 10 hectares de piscicultura nos arredores de Manaus, a renda pós-IR pode chegar a R$100 mil/ano.  Economize 20% deste total e, com rendimento de 10% ao ano, em 20 anos você será um milionário.  Cultive essa idéia.

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