23 March 2009

Os Rios Voadores da Amazônia

Além de grande seqüestradora de carbono e estoque da biodiversidade global, o terceiro grande serviço ambiental da Amazônia é como reguladora do ciclo hidrológico na atmosfera.  Cada vez mais evidências científicas mostram a provisão de tais serviços.

Alguns artigos recentes mostram:

1) o quanto as florestas, através de VOCs (Volatile Organic Compounds), interagem com a chuva e nuvens

http://www.nature.com/nature/journal/v452/n7188/full/nature06870.html

2) o quanto o fogo em florestas tropicais inibe a formação de nuvens e subsequentemente chuvas

http://news.mongabay.com/2005/0414-rhett_butler.html

 

Para tirar suas próprias conclusões, vide o seguinte vídeo no Youtube que mostra o fluxo de vapor e nuvens na atmosfera.  O branco é vapor, o laranja é tempestade. 

http://www.youtube.com/watch?v=PTH-mTjqP1g

Como se pode ver, a Amazônia pulsa ritmicamente com chuvas.  O Vapor entra na Amazônia pelo Atlântico a caminho dos Andes.  No caminho este vapor se torna chuva várias vezes; em todas elas, a chuva retorna à atmosfera pela transpiração da floresta.  Uma grande árvore na floresta transpira mais de 300 litros por dia e é o acúmulo de todas as árvores na região faz com que as chuvas sejam continuamente recicladas à atmosfera. 

A chuva que chega aos Andes é redirecionada, parte ao norte passando pela América Central, Flórida e indo bater na Europa, parte ao sul, abastecendo de chuva as hidrelétricas brasileiras e o agro-negócio brasileiro e argentino.

A pergunta ainda sem resposta é o quanto de desmatamento interromperia este ciclo, fazendo com que as chuvas na Amazônia retornassem ao Atlântico sem chegar aos Andes.  Especulamos apenas, mas preferimos não saber a resposta. 

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