28 February 2009

A beleza da competição também na Amazônia

Esta semana tivemos duas boas notícias para o longo prazo da economia do Amazonas.  Um, a Azul, nova companhia aérea, solicitou à ANAC a permissão de voar a Manaus a partir de março.  Dois, a Oi decidiu estender  fibra ótica da Venezuela até Manaus.  São duas notícias que prometem catalizar a integração de nossa economia com o resto do país e do mundo. 

Avaliemos por um instante o fantástico impacto que ambas terão sobre nossa economia.  Desde que o duopólio Gol / TAM se instalou no país, tivemos grande aumento do preço de passagens aéreas em todo o país (que nunca foram baratas, para começo de conversa).  A entrada da Azul já faz efeito por exemplo no trecho São Paulo – Salvador; onde o preço caiu a menos de R$200 a perna contra mais de R$400 das competidoras.  Isto, é claro, antes da Gol e TAM reagirem; ao final, o consumidor é o grande beneficiado, com preços mais baixos e maior conforto (o vôo da Azul é em aviões da Embraer que não têm a horripilante e temível cadeira do meio).  Cabe lembrar que o motivo principal desta melhoria não é o bom coração da Azul, nem uma necessidade profunda da empresa de melhor servir os passageiros amazonenses.  O motivo é o lucro; se a Azul não obtiver lucro com suas operações no Amazonas, conte que não haverá coração nem necessidade que dê jeito.  E a forma mais eficiente de transformar esta busca desenfreada por lucro em benefícios para a sociedade é a competição.  Longa vida à competição!

O conceito da competição é antigo mas é pouco apreciado.  Entre empresas, é a competição que permite que preços baixem e que serviços e produtos melhorem.  O laptop no qual lhe escrevo é fruto de competição entre fornecedores de chip (no meu caso o vencedor foi a Intel).  O jornal que você lê se encontra em batalha campal com competidores.  Ótimo!  Todos se beneficiarão: leitores terão um produto melhor e mais barato, anunciantes terão melhores espaços e preços mais baixos e, em última instância, jornais serão melhores e mais criativos (ou morrerão).  A competição entre EUA e União Soviética levou o homem ao espaço e à lua.  Todos nos beneficiamos dela.

No segundo caso, a Oi tem a mesma motivação.  Há tempos que a Embratel detem o monopólio da fibra ótica em Manaus, com a única ligação seguindo a BR-319 até Porto Velho.  Com isto, sempre pôde extrair preços altos com serviço mediano (mas ainda assim melhor que as alternativas).  É o problema com a ausência de competição – não há preço de equilíbrio no mercado e não há busca desesperada por melhores serviços.  Entretanto, a Oi compreendeu que o mercado de Manaus, a preços atuais, oferece imensa oportunidade de crescimento e rentabilidade, se ao menos eles tivessem fibra ótica chegando aqui.  Eis a gênese da decisão de investir quase 100 milhões de reais para ligar Manaus.  Não é porque eles querem ver as crianças manauaras interligadas ao mundo ou facilitar a vida de filiais amazonenses trocando dados com suas matrizes.  É a velha busca pelo lucro, que temperada pela competição traz imensos benefícios à sociedade.

A competição é boa.  Reflita como ela pode contribuir à sua vida.  Como exemplo, Manaus hoje compete para ser subsede da Copa em 2014.  Garanto que se não tivéssemos cidades competidoras nosso projeto não seria tão bom.  Assim como a Oi e a Azul, Manaus compete para ganhar a preferência, seja de passageiros, internautas ou FIFA.
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3 comments:

  1. Sem dúvida a competição é boa e nesse caso será ótima para manaus, principalmente no caso da Oi, pois sem competição, durante anos pagamos pela internet mais cara do Brasil.

    o que me procupa agora é a ZFS.

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  2. A oi só vai montar essa fibra optica porque está no contrato dela de fusão com a Brt que eles deveriam ligar a fibra nos estados que faltam na região norte sem que isso traga retorno. Se o governo não metesse a mão nessa fusão a gente não iria ver essa atitude deles aqui. Para a oi o satelite tá de bom tamanho....

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  3. Apenas como adição, agora a Vivo, que não tem o compromisso mencionado pela Oi, também se propõe a conectar Manaus. O porte de Manaus hoje já justifica a fibra ótica, com retorno.

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