31 January 2009

Crise do capitalismo?

O ano de 2009 promete ser grande campo de batalha ideológica entre capitalismo e socialismo.  Foi com um q de vibração e sentimento de doce vingança que comunistas e socialistas observaram o modelo de capitalismo liberal americano de joelhos.  Muitos equipararam a falência do banco Lehman Brothers à falência do capitalismo, assim como a queda do muro de Berlim significou o fim do comunismo soviético.  

É importante primeiro lembrar que crises são parte integrante do sistema capitalista.  É um sistema que se renova em suas sucessivas mortes e renascimentos.  Ao que se sabe, o sistema comunista soviético não teve nenhuma crise desde seu início em 1917 até seu fim em 1989.  Neste mesmo período, os EUA passaram por sete recessões, inclusive a grande depressão que durou mais de 10 anos. Apesar disso, é indiscutível qual dos dois obteve mais sucesso no período.  

É claro também que o capitalismo incipiente na China foi o grande impulsionador do crescimento econômico que faz daquele país hoje a terceira maior economia do mundo, vinda de uma situação de penúria há apenas trinta anos.  No Brasil, foi a busca pelo lucro e este mesmo sistema financeiro internacional que possibilitou um dos maiores avanços que já vimos.  Empresas como Cyrela, Abyara, Gafisa, hoje nomes do nosso cotidiano, buscaram bilhões no mercado para investir e aumentar o estoque de habitações no país; isto não teria sido possível simplesmente com financiamento e construções públicas.

 Os novos shopping centers em Manaus são fruto destes recursos também, assim como grande parte das lojas que os ocupam (em particular Renner e Marisa que fizeram captações nos últimos anos); a maior geração de empregos no Amazonas nos últimos anos foi nestas frentes e não na área industrial.  Nosso futuro porto será construído pela Log-In, outra empresa recém-lançada no mercado de ações.  A aviação aérea é outro segmento que sem um mercado financeiro pujante nunca teria saído do chão – Gol e TAM precisaram captar recursos estrangeiros, e agora a Azul desponta como grande esperança.  Temos TV a cabo em Manaus financiada em grande parte pelo mercado de ações.  Nas telecomunicações, existe alguma dúvida de que a extinta Telamazon conseguiria oferecer os serviços que hoje temos de internet e voz para um total de mais de 2 milhões de linhas celulares no Amazonas (mais de 1 celular para cada 2 amazonenses, dados da Anatel).  De onde veio este dinheiro todo?  Do mercado financeiro.

Busca-se então reconhecer onde há falhas e criar mecanismos que evitem futuros problemas, ao invés de rechaçar o sistema todo.  Por exemplo, a pobreza no Brasil foi drasticamente reduzida nos últimos anos com programas como o Bolsa-Família, que provê os mais pobres de uma renda suplementar mínima, mesmo em crise.  Há também o seguro-desemprego, para reduzir a insegurança do trabalhador frente a uma demissão.  É o papel do Governo oferecer a rede de proteção.  No tema meio ambiente também temos enormes desafios que o laissez-faire americano do século XX se mostra inadequado para lidar.

Descobriu-se com esta crise que os sistemas de avaliação e administração de riscos dos grande bancos são inadequados ao mundo moderno; que as regras da Brasiléia que determinam o quanto de margem de segurança bancos mundiais devem ter serviam para 1988 mas não 2008; que as grandes remunerações de executivos estimularam tomada excessiva de riscos em um mundo volátil; que uma vez instalado o pânico, apenas intervenções fortes e coordenadas de múltiplos governos poderiam estabilizar o sistema.  É necessário aprender as lições e buscar a retomada do crescimento global, desta vez em bases mais sustentáveis a longo prazo.  

É bom apenas lembrar que a tão criticada economia americana, que no auge imobiliário construía um milhão de casa por ano, em 2008, no meio de uma enorme crise, ainda construiu mais de 500 mil casas (todas pela iniciativa privada), ou uma para cada 600 habitantes; o Brasil, que vivia o auge da bonança imobiliária, atingiu 300 mil casa no ano, ou uma para cada 660 habitantes.

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24 January 2009

A Esperança da Copa em Manaus

O Amazonas formalizou junto à Confederação Brasileira de Futebol (CBF), no dia 15 de janeiro, a candidatura de Manaus como uma das subsedes da Copa 2014.  Gostaria então de esclarecer do que consiste nossa candidatura.

O material apresentado no dia 15 consiste do projeto básico do estádio e entorno, dentro das especificações exigidas pela FIFA.  A FIFA tem um enorme rol de exigências incluem, por exemplo, o número de vagas de estacionamento, as condições acústicas do estádio, a quantidade de lúmens (medida de iluminação) por metro quadrado de campo, o ângulo de visão de todos os torcedores, as condições de espaço para mídia, a qualidade das telecomunicações e backups no estádio, a qualidade da energia elétrica produzida e redundâncias, espaços para patrocinadores FIFA, dentre muitos outras. O trabalho efetuado foi de altíssima qualidade por equipes que incluíram a SEPLAN, SEJEL e SEINF, contemplando todos estes requisitos.  Contamos também com a colaboração das duas administrações da Prefeitura de Manaus e da empresa de consultoria Deloitte (, que assessa hoje a África do Sul na condução da Copa de 2010.

Essa é, sem dúvida, uma iniciativa ousada.  O principal investimento público é o estádio e seus arredores; este contempla reformas e repaginações que vão desde a Vila Olímpica até a Constantino Nery, no que se tornaria um grande centro de entretenimento e lazer para Manaus com restaurantes e lojas, parques e estacionamento, com volume estimado de investimentos de cerca de R$500 milhões. Este investimento contempla também investimentos no sambódromo com FAN Park, área de exigência da FIFA para que público não pagante de até 30 mil pessoas possa assistir os jogos em telões com conforto, e investimentos em infra-estrutura receptiva de VIPs e patrocinadores da FIFA.   

Outras intervenções públicas são avaliadas, especialmente no segmento de transporte público.  O estado tem hoje dois estudos, um voltado a melhorias no transporte público de ônibus (pela Poyry,http://www.poyry.com) e outro voltado à possibilidade de um VLT em Manaus (Veículo Leve sobre Trilhos) pela PricewaterHouse (http://www.pwc.com).  São estudos preliminares que têm sido discutidos com a equipe da Prefeitura para definir em conjunto a melhor estratégia para Manaus.

Além de investimentos estaduais, existe a grande possibilidade de investimentos federais ligados a um evento como a Copa do Mundo.  É certo que o Governo Federal deve prestar especial atenção às 12 cidades selecionadas, em busca de se certificar de que estas têm a capacidade de bem acolher os torcedores e tornar esta uma das melhores Copas do Mundo da história.  Em Manaus, investimentos significativos no aeroporto e em energia podem ser adiantados para contemplar o evento.

Em conjunto com o investimento público, temos também um volume de investimentos privados esperado em conexão com o evento; em um momento com este quando o capital privado se encontra retraído dado o cenário internacional de crise, um atrativo como subsede da Copa pode dar renovado fôlego ao nosso crescimento econômico.  Setores como construção civil, hotelaria e serviços em geral devem ser os maiores beneficiados.  

Temos muitos itens em nosso favor no processo de seleção.  O principal, entretanto, é o nosso meio ambiente.  Em um momento em que o mundo se preocupa cada vez mais com mudanças climáticas, temos no Amazonas um exemplo de conservação com sucesso econômico.  Contemple-se nossa taxa de desmatamento anual de menos de 500 km2, versus mais de 5 mil de nosso vizinho concorrente no ano de 2008.  Oferecemos também à FIFA a possibilidade de patrocínio de uma reserva florestal no Amazonas, nos moldes da reserva adotada pela cadeia de hotéis Marriott.  Dada a importância que a FIFA dá ao "Green Goal" (Gol Verde), acreditamos que nosso projeto oferece o maior legado que quaisquer Copa pode deixar ao mundo, na forma de conservação de serviços ambientais e seqüestro de mais de 1,5 milhões de toneladas de carbono (estimativa das emissões ligadas à Copa de 2006 na Alemanha).  Outros itens, apesar de ainda não em níveis ideais, como hotelaria e segurança pública, têm indicadores que pesam a nosso favor quando comparados com a maioria das demais cidades candidatas.

 

Torçamos, nos unamos e rezemos, que a decisão, em março, está próxima.

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