11 December 2008

The REDD debates

The global REDD debate rages during this week of meetings in Poznan.  As the latest addition to scholarship on the issue, CIFOR released the report “Moving Ahead with REDD”, which provided a roadmap for where forests may fit into an expanded Kyoto Protocol.  Breakthroughs are announced every day from Poland, yet much of the excitement is more likely due to foreign press with little familiarity with the topic rather than actual breakthroughs.  We, in the Amazon rainforest, remain hopeful that Poznan will lead to enough momentum that Copenhagen in December 2009 can be the crowning moment the world decides to move on a definite path to curb emissions and address head on the troubles of climate change.  

Amazonas state in Brazil remains committed to slowing deforestation rates; we have reduced deforestation in our best preserved of all states in Brazil to below 0.03% of our territory per annum.  Satellite imagery shows that Amazonas has 98% of its forest cover preserved and, at the current rate of deforestation, will retain over 95% preserved by the year 2100.  

Below follows the link to the CIFOR report:

http://www.cifor.cgiar.org/publications/pdf_files/Books/BAngelsen0801.pdf

Reação:

02 December 2008

Tecnologia a serviço de índios isolados na Amazônia - boas vindas ao século XXI















Desde a era quando Rondon estabeleceu o telégrafo na área onde hoje é Rondônia e criou o Serviço de Proteção aos Índios (SPI, mais tarde renomeado FUNAI) que se discute a política adequada de tratamento de povos indígenas.  Este tema passa por considerações econômicas, sociais, de saúde e mesmo filosóficas.  Já se migrou da original catequização religiosa para a postura atual de não contatar tribos isoladas.  Uma postura de não contato, entretanto, não equivale a deixar de lado estas tribos; pelo contrário, deve envolver esforços para evitar contatos quaisquer.  

Um item importante é saber exatamente onde se localizam estas tribos; um problema aparentemente insolúvel do século XX encontra na tecnologia do século XXI sua solução.  O Brasil decidiu utilizar, em aviões que sobrevoam a Amazônia, sensores de calor para identificar a presença de tribos no chão.  Evita-se assim a presença física no chão, que elimina riscos tanto aos exploradores quanto aos próprios indígenas e verifica-se a localização com precisão sem sustos.  

O século XX viu a Amazônia sofrer sob um modelo de desenvolvimento altamente invasivo e sem congruência com a floresta.  O século XXI entra com grandes promessas e oportunidades.  O sensoriamento por calor nos permite hoje saber onde estão, em tempo real, todos os focos de calor na região.  O celular permite que muitos amazônidas tenham acesso a comunicação sem a necessidade de “passar cabo” por todos os lados.  IPTV permite que aulas de Manaus sejam transmitidas a mais de 500 pontos de educação na zona rural dos municípios mais longínquos do Amazonas.  A telemedicina surge como alternativa à presença de especialistas a custos altíssimos em todos os municípios.  O acesso à internet permite comparação de preços, leitura de notícias e obtenção de informações nunca dantes imaginadas. 

É absolutamente necessário que se pense em novas soluções, principalmente de prestação de serviços, no interior da Amazônia.  Só assim poderemos levar a melhoria da qualidade de vida a tal ponto que universitários e os indivíduos de maior talento e motivação de nossa sociedade possam se localizar no interior, fornecendo assim a matéria prima do desenvolvimento sustentável.

Seguem notícias a respeito do sensoriamento por calor:

O Globo – Economist elogia política do Brasil para os índios ticuna

Revista Época – Sensores para encontrar índios  

Reação:

Metas para redução de desmatamento nacionais - ou como tornar o Brasil pedinte e fazer um bilhão sumir na burocracia

O Brasil esta semana estabeleceu suas metas para redução de emissões, com especial ênfase na redução do volume de desmatamento na região amazônica.  A meta é partir dos 12 mil km2 em 2008 e chegar a 5,8 mil km2 em 2017, praticamente a metade.  Em relação à linha de base histórica do Brasil de 19 mil km2, é uma redução a um terço.  Considerando-se uma área total de 5 milhões de km2 na região, a meta é de uma taxa de desmatamento de aproximadamente 0,12% ao ano, de 0,38% na linha de base.  

O Governo Federal vê duas formas de atingir esta meta, conforme afirma o Ministro Minc: melhor monitoramento e policiamento e o Fundo Amazônia que deve prover recursos para implantação de políticas públicas na região.  O Fundo, conforme o Ministro, pode arrecadar cerca de US$1 bilhão por ano.  O Brasil espera, com estas atitudes, buscar maior força moral nas discussões climáticas mundiais.

É importante adicionar a este cenário os resultados obtidos pelo estado do Amazonas nos últimos anos; partiu-se de mais de 1,5 mil km2 em 2003 para menos de 500km2 em 2008.  Para o total do estado, de 1,5 milhões de km2, partimos de 0,1% ao ano e estamos em 0,03% ao ano de desmatamento.  Esta redução foi possível por dois motivos: a pujança da economia regional (principalmente no que diz respeito a indústria e serviços) e uma política de valorização de atividades sustentáveis.  

Dentro deste cenário, as reduções que o Amazonas continuar a executar estarão inclusas nas metas nacionais e reverterão em recursos que o Fundo Amazônia deve receber da parte de doadores.  Há dois problemas profundos com esta situação: a) todo o mecanismo é baseado em doações, tornando o Brasil oficialmente um pedinte internacional exatamente no momento em que buscamos nosso espaço no mundo econômico e b) é incerto o destino dos recursos arrecadados pelo Fundo, o que deve reverter em aumento de burocracia ambiental com maior monitoramento, ao invés de melhorias reais na qualidade de vida da região.  

Enfrentamos então a situação de que estaremos sujeitos à boa vontade internacional e não há mecanismo claro de fazer com que aqueles que realmente evitam o desmatamento, os habitantes da Amazônia, se beneficiem.  Ao invés disto, esperamos que o Brasil busque uma solução alternativa:

a)      Ao invés de doações, devemos cobrar por serviços ambientais prestados ao mundo.  Sejamos não pedintes, mas credores.  A Amazônia presta serviços ambientais ao mundo, não só sob a forma de carbono, mas também como armazem de biodiversidade e reguladora climático-aquática.  

b)     Ao invés de injetar recursos em uma imaginária burocracia federal, devemos ter mecanismos claros e auditados para certificar de que quaisquer recursos cobrados devem reverter em melhorias na qualidade de vida da Amazônia, não apenas reforços à polícia ambiental nacional.

A seguinte notícia resume o anúncio:

G1 – Brasil terá meta de desmatamento com novo plano climático, diz Minc

Reação: