29 November 2008

Paragominas, IBAMA, uma tradição repressiva e um discurso vazio na Amazônia

Semana passada tivemos o triste evento de instalações do IBAMA invadidas e depredadas na cidade de Paragominas, no Pará.  Mais notícias seguem abaixo – este blog não tem a intenção de reportar, mas sim compreender a motivação por detrás do evento e buscar possíveis soluções para que impasses desta ordem deixem de ocorrer na Amazônia.

Estadão – Manifestantes depredam escritório do Ibama no Pará

G1 – Presidente do Ibama diz não se intimidar com protesto de madeireiros

Após a decisão do Governo Militar nos anos 1960 e 70 de ocupar a Amazônia, vivemos um período de inicial de esquecimento amazônico, seguido por preocupações e lobby ambiental durante os anos 90 que fez com que leis brasileiras migrassem para um conjunto que talvez seja o conjunto mais ambientalista do mundo.  Um observador que compare as regras de preservação, quando seguidas, no Mato Grosso e em Iowa ou na França, certamente terá dificuldade identificando quem tem maior preocupação ambiental.  Entretanto, por muitos anos o Brasil não foi dotado dos mecanismos necessários de monitoramento da região.  Não mais!  Com o projeto SIVAM/SIPAM, além de outros mecanismos de inteligência ambiental, hoje temos como saber onde ocorre o desmatamento e onde provavelmente ocorrerá amanhã.  Há ainda a crescente preocupação mundial com mudanças climáticas, biodiversidade, chuvas, dentre outros.  O Brasil também se tornou um país mais próspero (ainda que lentamente), o que faz com que a população mude o foco de curto prazo infligído pela pobreza por visões de longo prazo, uma das quais é a ambiental: o que deixaremos aos nossos filhos e netos.

O movimento recente tem grande potencial de ser um movimento positivo, que aglutina o Brasil e nos torna uma nação consciente de nossas riquezas e responsabilidades.  Entretanto, se este movimento não é complementado por um movimento de igual intensidade pela criação de uma economia sustentável na Amazônia, temos apenas conflito e a aparente imagem de oposição daqueles que vivem na Amazônia contra estrangeiros (inclusive os estrangeiros de São Paulo).  

No caso de Paragominas, temos uma cidade tomada pelo desmatamento ilegal em nome da madeira e pecuária, que por trinta anos foram praticadas em desacordo com as leis criadas em Brasília.  Ainda não há o magnânimo esforço necessário para mudar a matriz ecônomica; se quisermos mudar apenas a matriz ambiental, não teremos sucesso (sucesso sendo medido não apenas por queda no desmatamento, mas por bem estar daqueles que ali vivem).  Mudar de pecuária e madeira ilegal para extrativismo, manejo florestal e outras alternativas não é simples.  A intensificação da utilização de aáreas já desmatamdas é central, mas de difícil execução quando recursos financeiros e técnicos estão ausentes e em geral negados àqueles que iniciam na ilegalidade, ou seja, quase todos.

Faço, no link abaixo, algumas sugestões de onde a economia amazônica deve ir, em busca do equilíbrio da redução do desmatamento e melhoria do bem estar local.  O benefício seria gerla (local, nacional e global).

Uma Visão de Sustentabilidade para o Amazonas – http://www.dminev.com/2008/10/uma-viso-de-sustentabilidade-para-o.html

 

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