23 November 2008

Em busca da economia no Amazonas sem desmatamento – Parte 2 – Energia

Este é o segundo artigo de uma sequência de seis que buscam as principais alternativas de desenvolvimento para o Amazonas.  Este trata do segmento ENERGIA.

Manaus foi a segunda cidade no Brasil a ter luz elétrica.  O bonde elétrico de Manaus já circulava muito antes dos seus comparsas no sudeste.  Perde-se no Amazonas o "bonde" da energia mundial na primeira metade do século XX.  Desde então tivemos algum sucesso recuperando-o e temos perspectivas atuais de avançar no presente para alcançarmos novamente posição de destaque neste início de século XXI. 

O Amazonas da segunda metade do século XX desfrutou de dois grandes projetos no segmento de energia que deram forte impulso à economia regional.  Um, a Refinaria, inaugurada nos anos 50 por Isaac Sabbá, um dos mais audaciosos empresários de nossa história, que hoje ainda faz de Manaus o centro de distribuição de derivados de petróleo na região norte e parte do nordeste.  Dois, Urucu, que entrou em produção nos anos 90 e hoje produz mais de 50 mil barris de petróleo e GLP por dia, além do gás natural que em breve abastecerá Manaus.  É um segmento que se desenvolveu sem os incentivos da Zona Franca mas ainda assim fazem do Amazonas o terceiro maior produtor de petróleo e derivados do país.  

Entramos no século XXI com uma economia estadual cheia de esperança e em pleno crescimento.  Quatro itens marcam esta primeira década.  Um, o gasoduto Urucu-Manaus que aponta uma nova era de energia limpa e abundante em Manaus, com possíveis implicações industriais especialmente em segmentos como fundição e cerâmicas.  Dois, o linhão de Tucuruí que promete a definitiva interligação de Manaus ao grid energético nacional, com implicações tanto de qualidade energética quanto de custo.  Três, a abertura de uma nova era de prospecção no estado que já mostra sinais de potencial significativo tanto na região de Silves quanto em Carauari; somente a Petrobrás planeja mais de R$1,5 bilhão de investimentos em prospecção no Amazonas nos próximos quatro anos.  Quatro, um investimento significativo de R$500 milhões na Refinaria buscando readequá-la à nova demanda regional mais baixo por óleo combustível e maior por produtos mais nobres do refino.  Completamos assim as frentes que podem fazer do Amazonas um grande fornecedor de energia para o país.

E o futuro, o que nos guarda?  O planejamento estadual vê hoje duas frentes principais.  Uma, a frente de beneficiamento local. Possibilidades aqui incluem o pólo gás-químico de Manaus, que tem o potencial de juntar o gás de Urucu com a silvinita de Nova Olinda para produção de fertilizantes.  Outras possibilidades incluem a utilização de tecnologia GTL para transformar o gás em diesel limpo, ou mesmo a construção de porto de GNL para exportação de gás natural liquefeito.  Duas, a frente de energias renováveis.  As tecnologia atuais ainda não permitem que qualquer verde (celulose) seja transformado em energia de forma econômica; atualmente apenas casos de culturas específicas são econômicos, como é o caso do etanol de cana de açúcar.  Com os brutais investimentos em energia limpa que o mundo todo tem feito, acredita-se que esta tecnologia pode ser alcançada nos próximos 10 a 20 anos.  Com muito sol, calor e água, a Amazônia é um local onde a vida vegetal cresce rapidamente; isto nos torna um dos locais mais competitivos para produção de energia a partir de celulose, dentre é claro de parâmetros de manejo sustentável de nossos recursos naturais.  Outras possibilidades incluem também a utilização da correnteza de rios para geração de energia ou a energia solar, que também promete atingir maior economicidade nos próximos anos.

Há muitas oportunidades, riscos e desafios nesta jornada energética.  Países e estados com grandes riquezas naturais muitas vezes não conseguem traduzir tais riquezas em melhoria de renda e condições de vida.  Há passos sendo dados, como capacitação de mão-de-obra em segmentos essenciais como geologia, logística e engenharia.  Tão importante em tempos de mudança climática é o possível baixo impacto ambiental deste desenvolvimento.  Não é um setor de intensiva utilização de terra (vide o baixo desmatamento de Urucu, da Refinaria ou do gasoduto) e a utilização tanto do gás natural quanto de energias renováveis são alternativas mais limpas que a atual matriz de gasolina e óleo combustível.

Reação:

1 comment:

  1. O potencial de fontes renováveis de energia é enorme, mas não atingiram o patamar econômico que permitiria um uso mais difundido.

    Energia solar talvez seja o melhor exemplo. Com a quantidade de sol que nosso estado recebe, e o alto custo e baixa qualidade de energia elétrica, o maior uso de energia solar poderia ter consequências extremamente positivas.

    O alto custo de importação de tecnologia, e o custo Brasil talvez sejam parcialmente responsáveis pela adoção mínima de energia solar. Concordas? O que mais na sua opinião contribui para esse baixo uso?

    Sobre capacitação profissional, é bom saber que esforços estão sendo feitos. Entretanto, creio que a cultura educacional da região e o perfil das instituições de ensino superior precisam melhorar muito.

    Precisamos de mais pesquisa, com fontes híbridas de recursos para financiar essa pesquisa: iniciativa privada e governo. Empreendorismo precisa ser cultivado e estimulado.

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