18 October 2008

Prudência e vigilância neste momento de "crise"

A nova era financeira deflagrada pela crise internacional é uma hora de muitas incertezas.  Enquanto ela se desenrola, nos propomos um exercício de reflexão como ferramenta para uma melhor compreensão a cerca deste delicado momento e suas possíveis implicações.     

É importante estabelecer uma ligação entre o complexo cenário internacional, a situação da economia brasileira, até então estável, e o contexto estadual, bastante positivo até agora.

No eixo internacional vive-se uma gangorra financeira que começa a indicar sinais de desaceleração na economia real. Temos o preço de commodities mais baixo, perdas significativas no mercado imobiliário americano e aumento de endividamento estatal, em busca de salvar bancos em dificuldade no mundo desenvolvido.  Pacotes de governos podem reduzir o pânico, mas as perspectivas de crescimento já foram erodidas no processo.

O Brasil, conforme repetido constantemente pelo Ministério da Fazenda, nunca esteve tão bem preparado para enfrentar uma crise.  É verdade no que diz respeito ao quesito de liquidez e macroeconomia, com reservas de R$200 bilhões.  Ainda não temos a economia, no sentido microeconômico, flexível e rápida; ainda há um excesso de burocracia que entrava investimentos, e praticamente deixamos para trás as reformas tributária, previdenciária e trabalhista.  Mesmo assim, vínhamos caminhando a regulares (não ótimos) e certeiros 4 a 5% de crescimento anual. 

O Amazonas, neste cenário, se destaca pelo crescimento bastante acima da média, em todas as frentes: comércio, indústria e serviços.  Boas notícias recentes, como um novo porto (Porto de Lajes da Log-In), um novo vôo para os EUA (Delta para Atlanta) e implantações e diversificações de indústrias no PIM que continuamente batem recordes de faturamento e empregos, são apenas alguns indicadores do bom momento estadual.

A Seplan realizou, no dia 13 de outubro, uma consulta num universo de vinte empresas dos diversos segmentos e tamanhos, incluindo indústria e comércio, com a intenção de detectar os possíveis efeitos da crise sobre nossa economia local.  Eis alguns resultados:

·  Das indústrias, a maioria já tem insumos em estoque, viajando ou já agendados por cerca de 3 a 4 meses de produção; farão uma reavaliação no início de 2009, mas produção para 2008 está mantida.

·  Empresas pequenas e médias com administração local já enfrentam juros mais altos de financiamento. 

·  Na maioria dos casos, novas contratações e expansões (em especial de indústrias) foram adiadas para 2009.

·  Algumas indústrias esperam ganhar competitividade e aumentar produção local versus produtos importados com um dólar mais valorizado.

·  Algumas indústrias estão vendo a queda de preços de commodities como uma redução nos custos de matérias primas, o que pode ainda ajudar na competitividade do Amazonas.

·  Um número de indústrias está planejando férias antecipadas ou estendidas em caso de um cenário de resfriamento do consumo.

É indiscutível que a crise mundial tem efeitos sobre nossa economia, especialmente sobre os juros e sobre a incerteza de atores econômicos locais quanto ao futuro.  Ainda não há, entretanto, indícios de demissões em massa ou inadimplência crítica.  Com juros mais altos, bens duráveis comprados a crédito tendem a ter demanda reduzida.  O Banco Central brasileiro tem se posicionado fortemente para aumentar a liquidez dos bancos nacionais, melhorando assim expectativas brasileiras para 2009.  Ainda assim, há pouca visibilidade do cenário futuro; prudência, liquidez e vigilância são a ordem do dia.

 

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