20 September 2008

Silvinita, Fertilizantes e um Futuro para a Amazônia sem Desmatamento

A quase dois quilômetros de profundidade abaixo de Nova Olinda do Norte e Itacoatiara, no coração da Amazônia, encontra-se a maior reserva no Brasil e uma das maiores do mundo de silvinita, a matéria prima que se tornará o potássio, o K de NPK, a combinação mágica de fertilizantes tão necessária para o estabelecimento do Brasil como maior ainda potência agrícola.  Como lembrete, a mais ou menos 1.000 quilômetros dali para o sul encontra-se a fronteira desta expansão agrícola com a qual nós brasileiros, ao mesmo tempo que nos orgulhamos e nos beneficiamos, também nos preocupamos com as consequências para a floresta amazônica e a consequente mudança climática.  Caso esta fronteira não sirva de lembrete, veja então, a dez quilômetros a montante da cidade de Itacoatiara no Rio Amazonas o grande porto da Hermasa, empresa do grupo Maggi, que dispensa apresentação como o maior plantador de soja do país, onde descarrega-se de soja as balsas que sobem o Rio Madeira a partir de Porto Velho.  Esta soja segue caminho Rio Amazonas abaixo, em grandes transatlânticos que a levam para famintos estômagos indianos ou chineses.

 

Adicionando a este cenário, a oeste vemos gás natural de Urucu chegando via gasoduto a Manaus, a 250 km, com conexão viária até Itacoatiara.  A leste, coincidentemente, gás também, desta vez em Silves, a 50 km, que vem acompanhado do Linhão de Tucuruí, que promete interligação ao Amazonas ao grid de eletricidade nacional.  Este mesmo gás natural é insumo essencial na possível produção de energia para a extração e beneficiamento de silvinita e na produção de nitrogênio, o N do NPK (ficamos devendo o P, fosfáto, que mostra alguma incipiente possibilidade em Mato Grosso). 

 

Acrescenta-se ao cenário um Brasil importador de potássio (consome-se sete milhões de toneladas anuais e produz-se apenas 10% deste total), solos brasileiros bastante acídicos (que necessitam de fertilizantes), uma commodity que em 5 anos teve seu preço elevado de US$150 a tonelada para US$800 e um mercado de capitais brasileiro que se desenvolveu a tal ponto de poder financiar projetos de mineração pré-operacionais em bilhões de reais (vide caso Eike Batista).  Não nos esqueçamos dos projetados quatro mil empregos em Nova Olinda, cidade de menos de vinte mil habitantes, os royalties de mineração gerados ao município e ao estado e ainda o ICMS, pois a silvinita tem destino ao mercado nacional e não à exportação (com consequente desoneração, caso do ferro do Pará).

 

Por último, como a azeitona na empada, completa-se o cenário com a existência de tecnologias de extração de silvinita que necessitam apenas de um pequeno buraco no solo, em grande parte evitando as infindáveis discussões ambientais acerca de qualquer projeto desta natureza na Amazônia.  Até mesmo o sal, produto que será extraído com a silvinita, pode encontrar seu destino no processo industrial das usinas de beneficiamento de bauxita na foz do rio Amazonas no Pará. 

 

Permita-me o leitor se interrompo o texto por aqui.  Montado o cenário, tire suas próprias conclusões.

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