20 September 2008

Em busca da economia na Amazônia sem desmatamento – Parte 1 – Serviços

Esta é uma sequencia de seis artigos que vão buscar tocar nos seis segmentos que o governo do Estado do Amazonas considerou prioritários para o desenvolvimento sustentável.  Busca-se uma economia pujante, moderna, livre.  Busca-se também uma economia na qual a valorização da floresta de pé seja maior do que derrubada; tal cenário somente será verdadeiro quando a renda per capita esperada de atividades sustentáveis seja maior que a alternativa.

 

Neste primeiro artigo, toca-se principalmente no tema da prestação de serviços e distribuição comercial a grandes distâncias.  Todas estas atividades estão no rol da sustentabilidade no que diz respeito à preservação da floresta.  Há, é claro, formas de prestação de serviços que têm maior ou menor impacto ambiental, mas o puro fortalecimento destas atividades é forte contribuinte à preservação da região.

 

Comércio e serviços chegam a responder por até 70% da economia de países desenvolvidos.  Existe ainda grande confusão a respeito do que se compõe os serviços; segue abaixo uma breve lista de alguns dos mais importantes segmentos:

Ø      Transportes

Ø      Distribuição

Ø      Comunicação

Ø      Energia elétrica

Ø      Água

Ø      Saúde

Ø      Educação

Ø      Financeiros

o        Bancários, empréstimos, investimentos, seguros, etc.

Ø      Governamentais

o        Fiscalização, documentação, informação, etc.

Ø      Alimentação

Ø      Informação

o        Atendimento ao público, propaganda, etc.

Ø      Cuidados pessoais e domésticos

o        Cabelereiros, academia de ginástica, jardinagem, secretáriado, empregada doméstica, etc.

Ø      Comércio varejista

Ø      Comércio atacadista

Ø      Armazenagem de bens

Ø      Manutenção em geral

 

Como se vê, estes segmentos comprazem a grande maioria dos empregos disponíveis na economia brasileira e amazonense do presente, mas ainda são serviços dotados de baixa produtividade e renda, especialmente quando comparados com países desenvolvidos. 

 

Sofre-se na Amazônia de duas grandes dificuldades no desenvolvimento destes segmentos:

Ø      Informalidade das economias.  Especialmente fora das capitais, ela impede importantes ganhos de produtividade através da escala.  Por exemplo, grandes cadeias de restaurantes em geral obtêm melhor produtividade que unidades individuais, podendo em geral oferecer a mesma qualidade a preço mais baixo.  Transportadores de grande eficiência em geral batalham com pequeno empreendedores informais; empresas que precisam seguir todas as normas e boas práticas nacionais de segurança, tributação, emprego e meio ambiente, não conseguem competir com micro-empresas informais.  Perpetua-se assim a pobreza e baixa produtividade.

Ø      Distâncias.  Não há serviços bancários, no modelo atual, que compemplem cidades que estão a 30 dias de barco de grandes centros urbanos.  Celulares, internet ou mesmo TV em muitos casos não alcançam comunidades.  A dsitribuição de mercadorias em cenários amazônicos se dá com enormes dificuldades e consequentes custos.  Como pode o governo fiscalizar o pagamento de impostos ou a administração de justiça em pequenas e quase inacessíveis comunidades.  Como obter serviços médicos a tais distâncias?

 

Vive-se no Amazonas com uma indústria de grande produtividade, orgulhosa com as maiores e melhores multinacionais, pautada pela formalidade absoluta da economia, fiscalizada nos mínimos detalhes por uma multiplicidade de órgãos.  É um enorme constraste com o mundo dos serviços, especialmente no que diz respeito ao interior do estado.   

 

Nestes segmentos, há já uma série de iniciativas positivas, dentre as quais destaco iniciativas governamentais e privadas de educação a distância, telemedicina, descentralização de atividades governamentais através de convênios com municípios ou da mobilidade naval, utilização de satélites para comunicação via internet, dentre outros.  Ainda não é suficiente.  Nossa mensagem de sustentabilidade não ecoa tão bem em famílias que não têm energia elétrica nem oito horas por dia, não conseguindo conservar alimentos, ou que são recebedores de transferências de governo mas que precisam viajar dias ou mesmo semanas para encontrar uma agência bancária donde sacar, ou que não têm acesso a mercados para saber o preço atual do quilo de farinha ou peixe.

 

Dada a excelência em geral atribuída à prestação de serviços privada vis a vis a alternativa pública, é importante ao governo buscar viabilizar e estimular soluções através de desoneração tributária e quando necessário, estabelecimento de infra-estrutura básica para maior produtividade.  Por exemplo, economias modernas estão calcadas na disponibilidade barata de comunicações; a tributação de comunicações, especialmente de cidades e comunidades isoladas, encarece esta comunicação, e é o equivalente a aumentar ainda mais a distância e isolamento.  O mesmo se aplica a transportes.  Adicionalmente, para a eficiente prestação de serviços de transporte, é necessária a existência de portos modernos, que permitam o embarque e desembarque de pessoas e mercadorias com rapidez; é papel do governo buscar formas de estabelecer esta rede de infra-estrutura.  Adicionalmente, energia, água e saneamento, como importantes componentes da produtividade e longevidade das populações (e consequente enriquecimento), também em geral devem ser estimuladas e reguladas pelo governo, com administração por parte da iniciativa privada.

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