28 August 2008

Copa 2014 em Manaus

Entrevista concedida à consultoria Deloitte para a revista Mundo Corporativo a respeito da preparação de Manaus para a Copa do Mundo de 2014.


- O que o estado do Amazonas está fazendo para se preparar para a Copa de 2014? Onde estão concentrados os principais esforços?

O Amazonas busca se preparar para o futuro. A Copa é um evento neste futuro que buscamos. Temos uma série de ações de melhoria de gestão neste sentido, dentre as quais destaco:

1. Implantação de ISO 9000 em órgãos do Governo Estadual, ao ritmo de 10 órgãos por ano.

2. Recrutamento profissional de gestores para cargos de confiança, buscando melhores qualificações e experiência.

3. Remuneração variável de gestores, inicialmente na Educação (baseamos a remuneração de diretores de escola no resultado da escola no ENEM em relação ao ano anterior, por exemplo), seguindo para Segurança Pública e Saúde.

4. Estabelecimento de cotas de treinamento por servidor estadual, com incrementos ano a ano.

Estes esforços de gestão já começam a mostrar os primeiros frutos, como o avanço do estado no ENEM (foi o terceiro maior avanço de notas de 2006 para 2007), nos índices de segurança pública (redução no número de homicídios de 2006 para 2007), na saúde (redução no número de casos de malária em mais de 40% de 2006 para 2007) e na arrecadação (que praticamente dobrou entre 2002 e 2007). Estes avanços preparam o estado para os desafios à frente, o que inclui a Copa do Mundo.

Este aumento de arrecadação, em grande parte devido ao bom desempenho do Pólo Industrial de Manaus e do combate à inadimplência da Secretaria de Fazenda, têm permitido ao Estado investimento vultoso em alguns setores prioritários como saneamento. Manaus era uma cidade cortada por inúmeros pequenos rios, sobre os quais milhares moravam sem infra-estrutura, em meio ao lixo e doença. O projeto de saneamento e limpeza destes rios, que já mudou o aspecto da cidade, deve ser concluído em 2012, abrindo novas vias de transporte na cidade (com ruas ao longo dos rios) e proporcionando melhores condições de vida à população. Também temos importantes avanços em Ciência e Tecnologia, com o investimento estadual superior ao investimento do CNPq em toda a região norte. O interior do Amazonas é a área mais carente do estado, mas hoje temos 15 mil estudantes no interior em curso superior através da Universidade Estadual do Amazonas; isto equivale a quase 1% da população onde nem 0,5% tem curso universitário hoje.

Por último, temos hoje a assessoria da Deloitte nos auxiliando na confecção de planos que atendam a enorme quantidade de requisitos da FIFA, juntando todos os esforços do estado no sentido de mostrar à FIFA, ao Ministério dos Esportes, à CBF e ao Brasil como um todo o merecimento de Manaus como uma das sedes. A Deloitte tem a experiência adquirida na Alemanha e África do Sul e que está sendo aplicada na sua plenitude em Manaus para mostrar com clareza as qualidades que Manaus pode oferecer à Copa.


- Qual seria o diferencial do estado na disputa com outros?

O tema ambiental certamente nos diferencia. Em 2002, tivemos desmatamento de 1.550 km2; em 2007, foram 753 km2, menos da metade. É uma taxa de 0,05% ao ano, dramaticamente melhor que o resto do Brasil e o histórico do próprio estado. Fizemos isso com um conjunto de ações de governo que busca valorizar a floresta em pé, que vai desde o estabelecimento de preço mínimo para produtos sustentáveis (como borracha, óleo de andiroba e copaíba, dentre outros) ao pagamento do Bolsa Floresta para famílias no interior onde não se identifique desmatamento via satélite. O estado tem uma estratégia clara voltada a dizer não ao crescimento de certos segmentos como pecuária extensiva, soja e cana de açúcar. Temos a concepção que estratégia requer dizer não a segmentos de potencial para focar naquilo que queremos ser: um estado de turismo, de indústria e energia limpas, de serviços ambientais, de utilização de recursos naturais com tecnologia e sustentabilidade, com uma economia de serviços forte.

Além disso, temos em Manaus a pujança econômica do estado, com o terceiro mais alto PIB per capita dentre as capitais brasileiras, com baixos índices de criminalidade. É uma cidade cosmopolita, com vôos diretos para cinco países (EUA, Panamá, Colômbia, Venezuela e Equador), com festivais de renome (de Jazz, Cinema, Ópera e Teatro além do Boi Bumba de Parintins) e uma enorme diversidade cultural (desde o japonês, ao cearense da Batalha da Borracha, aos povos indígenas, aos ingleses, árabes e judeus do ciclo da borracha, dentre muitos outros povos).


- Alguns especialistas afirmam que uma das principais questões é planejar o pós-Copa, ou seja, viabilizar os investimentos em infra-estrutura fazendo com que eles sejam economicamente viáveis – para empresas e governos - e aproveitados pela população. No caso do Amazonas, qual a melhor maneira de realizar esta tarefa? Como isso pode ou deve ser feito? O senhor lembra de algum exemplo positivo, no Brasil ou no exterior?

Existem alguns investimentos que precisaremos executar que têm impactos amplos, como um possível metrô de superfície. Outros investimento são mais voltados ao evento, como o desenho do Estádio e entorno, com áreas públicas para entretenimento. Os requisitos da FIFA fazem muitas exigências que, se pensarmos bem, eventualmente teríamos de fazer de qualquer forma, então um dos importantes impactos é acelerar a implantação de melhorias e, por que não, o futuro. Nosso foco hoje, 6 anos antes da Copa, é nos investimentos que independem da Copa, mas que são essenciais para sua execução. Estamos hoje trabalhando com a equipe da Deloitte para identificar que outros investimentos podemos adiantar para tanto sanar os requisitos da FIFA quanto melhorar as condições de vida no Amazonas.

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Denis Benchimol Minev é secretário de planejamento e desenvolvimento econômico do Amazonas desde 2007. É formado em economia pela Stanford University, com mestrado em Estudos Internacionais e MBA pela Wharton School. Trabalhou anteriormente como analista financeiro da Goldman, Sachs & Co. de 1999 a 2001 e como diretor financeiro de um grupo local de 2003 a 2006.

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3 comments:

  1. Será que Manaus tem chance mesmo?

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  2. MEU NOME REINALDO RODRIGUES DE LIMA E NOME PRAZE TRABALHA JUTO COM GOVENADO PARA VER ESSE FUTURO DO AMAZONAS UM ESTADO DE PRIMEIRO MUNDO

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  3. Emiliano Karol - Itacoatiara/am.

    Nas palavras do Seo Denis Minev é possível perceber que ainda falta uma política clara de desenvolvimento do interior do Amazonas no que tange a produção de alimentos. Isso se faz necessário visto que provavelmente haverá um crecimento no consumo de frutas, carnes e peixes e outros. Sendo que com relação às frutas algumas delas ainda são trazidas de outros Estados, assim como a carne bovina que mais de 70% é proveniente do Estado do Pará. Então, o que será feito nesse sentido.

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