03 August 2008

C&T contribuindo para a Economia Amazônica

A academia brasileira tradicionalmente sempre relutou em trabalhar com a iniciativa privada. A pesquisa voltada ao desenvolvimento de interesses econômicos sempre foi vista como inferior àquela focada no puro conhecimento. Acredito, inclusive, que esta postura explique a ausência de recursos privados aplicados na pesquisa, os quais, em geral se dirigem aos setores onde são mais bem-vindos.

Esta postura tradicional vem mudando e acredito que a Fapeam tem tido um papel fundamental na quebra deste paradigma. Administrações sucessivas da Sect têm buscado desenvolver linhas de pesquisa diretamente ligadas ao aproveitamento sustentável econômico das potencialidades da região.

É neste espírito que temos hoje potencialmente um dos mais importantes projetos do Amazonas subsidiado pelo conhecimento científico. O projeto Reserva do Rio Juma, que está sendo implantado pela Fundação Amazonas Sustentável e patrocinado pela cadeia de hotéis Marriott, desponta como a janela pela qual se busca há muitos anos na Amazônia. Meu avô, professor Samuel Benchimol, há muitos anos já propunha que a solução para a Amazônia inegavelmente passaria pela remuneração por preservação. Sucessivas negociações internacionais parecem apontar na direção de mecanismos de remuneração de REDD (Redução de Emissões de Desmatamento e Degradação) na nova negociação do Protocolo de Kyoto, que entrará em vigor em 2013.

Para que sejamos remunerados, precisamos passar por quatro fases: determinação de uma área foco, determinação da probabilidade de desmatamento desta área anualmente, aferição do volume de carbono estocado naquela área e determinação das conseqüências da implantação de um projeto que vise à redução do desmatamento. Há poucos anos atrás, este projeto seria impossível devido à falta de conhecimento que tínhamos sobre a nossa floresta. Hoje, finalmente, podemos responder, aproximadamente, quanto de carbono está estocado em um determinado hectare. Também podemos responder quais as áreas da Amazônia que provavelmente seriam desmatadas nos próximos anos, devido a extensos estudos, inclusive publicados na revista Nature.

Comprovadas e auditadas todas estas etapas por firma reconhecida internacionalmente, teremos o instrumento financeiro, na forma de VERs (Redução de Emissões Voluntárias), para obter recursos voltados à preservação. É o primeiro passo na remuneração dos amazônidas pela preservação. É possível, assim, que reequilibremos a equação do valor econômico da floresta em pé, vis a vis, a floresta derrubada. É uma equação que há muito empobrece a Amazônia e prejudica o mundo; mudá-la é prioridade de todos.

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