09 November 2008

As Relações Internacionais do Amazonas

O Amazonas tem nos últimos meses passado por um processo de gestação de uma política internacional própria, em busca de interesses além do cenário nacional. Identifica-se neste processo seis vertentes de trabalho:

Infra-estrutura regional: Temos interesses de integração principalmente com o Ecuador no multi-modal Manta-Manaus, pela estrada do Pacífico via Acre e Peru, com a Venezuela via BR-174 e com todos via aérea. O principal tema é transportes, com energia e comunicações também importantes. Nos transportes a transformação de Manaus em hub aéreo regional (já temos vôos para Miami, Atlanta, Panamá, Bogotá, Caracas e Guayaquil) e a saída por terra ao Pacífico são temas centrais enquanto que em comunicações a saída de fibra ótica pelo norte é prioritária.

Investimentos privados: Grande parte da atual prosperidade é dependente de empresas estrangeiras que decidiram se instalar em Manaus. Busca-se continuamente estes investimentos, desde canadenses na silvinita, a franceses no cimento, a chineses em motocicletas. Os principais meios incluem participação em feiras (como a Cosmoprof de Bologna em busca de cosméticos), convites a delegações e o bom e igualitário tratamento de empresas aqui presentes. Há grande interseção de atividades neste tema com a SUFRAMA.

Abertura de mercados: A Zona Franca tradicionalmente tem sido discriminada dentro do Mercosul como "terceiro país". Buscamos em um contexto de integração regional maior acesso a mercados e vemos o Mercosul como área prioritária de expansão. Neste tema também nos juntamos à SUFRAMA. Temos também recursos naturais (desde castanha e pau-rosa a peixes ornamentais e minérios) que podem ter maior destaque na pauta de exportação dentro de um contexto menos protecionista internacional.

Relações públicas: A Amazônia sempre teve sua imagem e discussão no exterior ditada por organizações estrangeiras, em geral ONGs como Greenpeace, Conservation International, The Nature Conservacy, WWF, etc. Ao mesmo tempo que estas organizações elevaram o tema "Amazônia" ao topo das preocupações mundiais, nem sempre o enfoque é o mais benéfico ao Amazonas, com excessiva ênfase na conservação ambiental e minúscula ênfase no desenvolvimento humano. O Amazonas deve participar do debate de idéia acerca da Amazônia; um dos principais objetivos da criação da Fundação Amazonas Sustentável (FAS) é dar voz mundial ao Amazonas neste debate. Também busca-se, para efeito de turismo, que o Amazonas seja reconhecido como ponto central da Amazônia.

Serviços ambientais: A Amazônia presta importantes serviços ambientais ao resto do mundo e por isso devemos ser remunerados. Num mundo que reconhece o drama das mudanças climáticas e que está disposto a tomar medidas para mitigá-las, a Amazônia tende a ganhar importância. Cientistas têm estudado os efeitos da floresta sobre o armazenamento de carbono enquanto surgem mecanismos de valorização da floresta de pé (Lei Estadual de Mudanças Climáticas, Bolsa Floresta, parcerias com Bradesco e Marriott e atual memorando com a Califórnia).

Interação: O Amazonas tem se tornado um dos principais destinos de turismo e investimento estrangeiro no Brasil. Ao longo de nossa história, um volume de pesquisadores estrangeiros passou na região, desde Wallace e Bates em meados do século XIX a inúmeros no INPA de hoje. Somos uma terra de imigrantes, desde ingleses e japoneses a peruanos e cearenses. O mundo sempre veio ao Amazonas; é hora do Amazonas, como sociedade, retribuir a visita. O que você tem feito para levar o Amazonas ao mundo?

É essencial para a prosperidade do Amazonas a sua inserção mais profunda na economia mundial. Abracemos o mundo em nossos termos, dentro de um Brasil não só soberano mas também enriquecido de recursos e conhecimento. Os passos necessários a esta inserção transcendem governos ou mandatos; empresas e cidadãos também têm um papel a cumprir. Encontre o seu.

02 November 2008

Trabalhos publicados por Samuel Benchimol

01. Roteiros da Amazônia. Conferência pronunciada na Faculdade de Direito do Recife, in "Caderno Acadêmico", Ano II, n° 3, Recife, 1942, 8p.

02. Versos dos Verdes Anos (1942-1945). Poemas e haikais escritos no período de 1942-1945 e não publicados, 9p.

03. Quarto Centenário do Descobrimento do Rio Amazonas: Diário de uma Viagem pelo Rio Solimões até Iquitos. Inédito, Manaus, 1942, 50p.

04. O Bacharel no Brasil — Aspectos de sua Influência em nossa História Social e Política. Ed. Livraria Clássica, Manaus, 1946, 33p.

05. O Cearense na Amazônia — Inquérito Antropogeográfico sobre um tipo de Imigrante. Prêmio "José Boiteux" do X Congresso Brasileiro de Geografia (1944). 1ª Edição, Conselho Nacional de Imigração e Coloniza­ção, Im­prensa Nacional, Rio, 1946, 89p. 2ª Edição, SPVEA, Coleção Araújo Lima, Rio de Janeiro, 1965, 87p. 3ª Edição, Imprensa Oficial, Manaus, 1992, 304p.

06. O Aproveitamento das Terras Incultas e a Fixação do Homem ao Solo. In "Boletim Geográfico", Conselho Na­cional de Geografia, Ano IV, n° 42, Rio de Janeiro, 1946, 38p.

07. The next war: book-report. Monografia de Pós-Graduação, Miami University, mimeo, 1946, 11p.

08. Capitalism, the creator: a book-report. Monografia de Pós-Graduação, Miami University, l947, 5p.

09. History of economic throught: an outline. Monografia de Pós-Graduação, Miami University, l947, 17p.

10. Industrialization and foreign trade in Brazil. Monografia de Pós-Graduação, Miami University, l947, 11p.

11. Manaus: The Growth of a City in the Amazon Valley. Tese de Mestrado para obtenção do Master De­gree em Economia e Sociologia, por Miami University, Oxford, Ohio, USA, 1947, 165p.

12. Sociology in Brazil and in the U.S. — A Comparative Study. In "Sociology and Social Research", vol. 32, n° 2, Los Angeles, Califórnia, 1947, 27p.

13. Diário de um estudante da Miami University, Oxford, Ohio, e de um viajante pelos Estados Unidos (1946/7), inédito, 174p.

14. Ciclos de Negócios & Estabilidade Econômica — Contribuição ao Estudo da Conjuntura. Tese de Douto­rado-Concurso à Cá­tedra de Economia Política da Faculdade de Direito do Amazonas. Tipografia Fenix, Manaus, 1954, 152p.

15. Planejamento do Crédito para a Valorização da Amazônia: situação histórica e atual do crédito no Amazonas, política de crédito necessária à mobilização, e medidas complementares e colaterais. Relatório apresentado pela Sub-Comissão de Crédito e Comércio, da Comissão Coordenadora dos Subsídios do Estado do Amazonas para o Plano Qüinqüenal da Valorização da Amazônia, da qual foi Presidente e Relator. Manaus, 1954, 25p.

16. Relação entre a Economia e o Direito. In "Revista da Faculdade de Direito do Amazonas", n° 3, Manaus, 1955.

17. Inflação e Desenvolvimento Econômico. Tipografia Fenix, Manaus, 1956, e "Revista do Serviço Público" do Departamento Administrativo do Serviço Público (DASP), vol. 73, Rio de Janeiro, 1956, 24p.

18. Problemas de Desenvolvimento Econômico — com especial referência ao caso amazônico. Editora Sérgio Car­doso, Manaus, 1957, 83p.

19. O Banco do Brasil na Economia do Amazonas. Edição SPVEA, Coleção Araújo Lima, Rio de Janeiro, 1958, 16p.

20. Investimento & Poupança — Inquérito sobre a Pobreza das Nações. In "Revista da Faculdade de Direito do Ama­zonas", n° 7, Manaus, 1960.

21. Pólos de Crescimento da Economia Amazônica: Aspectos Espaciais, Temporais e Institucionais. In Cadernos CODEAMA, n° 2, Manaus, 1965, 42p.

22. Pólos de Crescimento & Desenvolvimento Econômico. Editora Sérgio Cardoso, Manaus, 1965, 42p.

23. Estrutura Geo-Social e Econômica da Amazônia. Dois volumes, edições do Governo do Estado do Amazonas, Série "Euclides da Cunha", Editora Sérgio Cardoso, Manaus, 1966, 1o vol. 186p; 2o vol. 500p.

24. Projeto ETA-54 da heveicultura do pós-guerra. Brasília, Congresso Nacional, 1970. Depoimento prestado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI-49/67) da Câmara dos Deputados. Diário do Congresso Nacio­nal, Suplemento (Resolução n° 114, de 01/maio/1970), 7p.

25. Política e Estratégia na Grande Amazônia Brasileira. Edições Faculdade de Direito do Amazonas, 1968, 16p.

26. Variáveis e Opções Estratégicas para o Desafio Amazônico. Manaus, 1969. Conferência proferida a bordo do Navio "Lauro Sodré" aos alunos da Escola Naval de Guerra.

27. A Planetarização da Amazônia. Jornal "A Notícia", Manaus, 1972.

28. Amazônia: Mensagem a um Desafio. Congresso das Classes Produtoras - CONCLAP, no Rio. Revista da As­so­ciação Comercial do Amazonas, 1972.

29. Polarização e Integração: dois processos no desenvolvimento regional. Manaus, 1972. Conferência proferida aos estagiários da Escola Superior de Guerra, na sede do Comando Militar da Amazônia.

30. A Pecuniarização da Amazônia: A Ameaça e o Desafio do Mega-Boi no Processo de Ocupação da Amazônia. Jornal "A Crítica", Manaus, 11/08/1974, e Jornal "Estado de São Paulo" de 08/09/1974. Conferência proferida na Comissão de Valorização da Amazônia, da Câmara dos Deputados.

31. Amazônia: Um Pouco-Antes e Além-Depois. Editora Umberto Calderaro, Edição Universidade do Amazonas e CODEAMA, 1977, 840p.

32. Projeto Geopolítico Brasileiro de Libertação e Desenvolvimento - A Formação e Reorganização do Espaço Po­lítico. Edição especial do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia-INPA, Manaus, 1977, 197p.

33. Política Fiscal. Edição Universidade do Amazonas, Faculdade de Estudos Sociais, Departamento de Direito Público, Manaus, 1978, 438p.

34. O Pacto Amazônico e a Amazônia Brasileira. Edição Universidade do Amazonas, Faculdade de Estudos Soci­ais, Manaus, 1978, 43p.

35. Petróleo na Selva do Juruá — O Rio dos Índios Macacos. Edição Universidade do Amazonas, Manaus, ju­nho/1979, 342p.

36. A Duodécada 80/90 — Reflexões e Cenários Amazônicos. Universidade do Amazonas, Manaus, 1979, 103p.

37. Uma oikopolítica para a Amazônia. Simpósio Nacional da Amazônia, Câmara dos Deputados, 1979, 106p.

38. Metodologia e Diretrizes para um Plano de Desenvolvimento Regional. Palestra realizada no Comando Militar da Amazônia, Manaus-Am, 24/abril/1980, 3p.

39. O Desenvolvimento do Médio e Baixo Amazonas: Uma Prioridade Regional. Palestra na 3ª Convenção Amazônica do Comércio Lojista, Santarém-Pa, junho/1980, 7p.

40. O Curumim na Amazônia. Conferência pronunciada na instalação do Curso Nestlé de Atualização em Pe­dia­tria, realizada no Teatro Amazonas, Manaus, agosto/ 1980, 12p.

41. Tendências, Perspectivas e Mudanças na Economia e na Sociedade Amazônicas. Manaus, 1980, 26p.

42. Amazônia: Andanças e Mudanças. Cuiabá, Universidade Federal de Mato Grosso, 1981, 78p.

43. Amazônia Legal na Década 70/80: Expansão e Concentração Demográfica. Edição Universidade do Ama­zonas, julho/1981, 167p.

44. A Floresta Tropical Úmida: aspectos ecológicos. in Seminário de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, Recife-Pe, 29/setembro/1981, 10p.

45. A Questão Amazônica. in Encontro Inter-Regional de Cientistas Sociais do Brasil, Manaus, 1981.

46. Population Changes in the Brazilian Amazon. in The Frontier after a decade of colonization. Manchester Uni­versity Press, 1985, 14p.

47. Introdução às Cartas do Primeiro Governador da Capitania de São José do Rio Negro - Joaquim de Melo e Povoas. Manaus, Universidade do Amazonas, 1983, 30p.

48. Introdução aos Autos da Devassa dos Índios Mura (1738). Apresentado ao 45th Congresso Internacional de Americanistas, Bogotá, 1985. Edição xerox, Manaus, 1985. Publicado nos Anais de la etnohistoria del Amazo­nas, Universidad de los Andes, Bogotá, 1985. Tradução em espanhol editada por Beatriz Angel e Ro­berto Ca­macho in Los meandros de la Historia en Amazonia. Quito, Abya-Yala, 1990, 50p.

49. Cobras & Buiuçus na Praça dos Remédios. Edição xerox, Manaus, 1985, 20p.

50. Grupos Culturais na Formação da Amazônia Brasileira e Tropical. Apresentado ao II Encontro Regional de Tropicologia da Fundação Joaquim Nabuco, Manaus, 1985, 31p.

51. Política Florestal para a Amazônia Brasileira: projeto no Congresso. Jornal "A Crítica", 09/fev/1985, 8p.

52. O "encantamento" de Gilberto Freyre. in Ciência & Trópico, Recife, v. 15, n° 2, jul/dez 1987. in Caderno de Cultura, Brasília, ano 2, dez/1988, 4p.

53. Amazônia Fiscal — Uma Análise da Arrecadação Tributária e seus Efeitos sobre o Desenvolvimento Regional. Edição Instituto Superior de Estudos da Amazônia — ISEA, Manaus, 1988, 179p.

54. Extrativismo, agricultura e indústria na Amazônia: seringa, roça e fábrica — um trilema? in Seminário de Jor­na­lismo Econômico da Amazônia, Manaus, 1988.

55. Manual de Introdução à Amazônia: programa, bibliografia selecionada, notas, mapas, quadros, material de lei­tura para análise, crítica e reflexões. Manaus, 1988, 226p.

56. The Free Trade Zone of Manaus — Assessment and Proposals. Paper presented to the 46th International Con­gress of Americanists, Amsterdam, Holland, 1988.

57. Zona Franca de Manaus: A Conquista da Maioridade. The Manaus Free Trade Zone: Coming of Age. Edi­ção bilingüe português/inglês Suframa/Sver & Boccato, São Paulo, 1989, 128p.

58. Amazônia: Quadros Econômicos da Produção. Depoimento à Comissão Parlamentar de Inquérito da Amazônia no Senado Federal. Centro gráfico Senado Federal, Brasília, 1989, 83p.

59. Amazônia: Ecologia e Desenvolvimento. in Encontro dos Empresários da Amazônia, Manaus, 1989.

60. Amazônia: Planetarização e Moratória Ecológica. Edição Universidade Paulista/ Cered, São Paulo, julho/1989, 144p.

61. Geo, Bio, Eco e Etno-Diversidades na Amazônia. Apresentado ao Congress Amazon: Needs, Researches and Strategics for self-sustained development. Patrocínio CNPq/MEC/PNUD/IBAMA/UNIP, Manaus, 1989, 17p.

62. Manaus na década dos anos 40. in Seminário Manaus: uma cidade e seus problemas, Manaus, 1989. Seminário promovido pela Secretaria Municipal de Ação Comunitária, da Prefeitura Municipal de Ma­naus, no período de 11 a 15.12.89.

63. O Imposto Internacional Ambiental e a Poluição Nacional Bruta. Edição Universidade do Amazonas, Ma­naus, 1990, 10p.

64. Desequilíbrios regionais com ênfase na Amazônia. Manaus, 1990. Palestra proferida na Escola Superior de Guerra, Rio de Janeiro, 8p.

65. Trópico e Meio Ambiente. Trabalho apresentado ao Seminário de Tropicologia, Fundação Joaquim Nabuco, Recife, maio/1990, 18p.

66. Finança Pública na Amazônia Clássica: quadros e rodapés (1° semestre de 1990). Trabalho apresentado ao I Encontro de Economistas da Amazônia, Belém, agosto/ 1990, 39p.

67. International Symposium on Environment Studies on Tropical Rain Forest (Forest 90), Manaus, 1990. Partici­pação como debatedor da pesquisa "The rubber development schemer of the United States in the Brazilian Amazon, 1945-1956", do Professor Warren Dean, da New York University.

68. Africanização econômica e balkanização ecológica da Amazônia. Manaus, 1991. Depoimento prestado à Co­missão Parlamentar de Inquérito sobre a Internacionalização da Amazônia, da Câmara dos Deputados, 8p.

69. Amazônia e a Eco 92. in Simpósio sobre a Amazônia, Belém, 1991, 5p.

70. Amazônia Interior: Apologia e Holocausto. Edição mimeo, Manaus, abril, 1991, 23p.

71. A recessão na Zona Franca de Manaus: africanização e balkanização. Jornal "A Crítica", Manaus, 29/set/1991, 10p.

72. Tropics and environment: world contribution of the tropical and amazonian biodiversity. in Congresso In­ter­na­cional de Americanistas, New Orleans, 1991.

73. Tributos na Amazônia: Tesouro Federal, Seguridade Social, Fazenda Estadual — Exercício 1990 e Janeiro-Julho 1991, Edição mimeo, Manaus, outubro/1991, 72p.

74. Romanceiro da Batalha da Borracha. Edição Imprensa Oficial, Manaus, 1992, 304p.

75. Eco-92: Borealismo Ecológico e Tropicalismo Ambiental. Trabalho apresentado à Fundação Joaquim Nabuco e ao Instituto de Tropicologia, Recife, março/1992, 16p.

76. Amazônia: Crise no Erário e na Economia. Trabalho apresentado à Assembléia Legislativa do Estado do Ama­zonas, em 18 de maio de 1992. Edição mimeo, Manaus, maio/1992, 53p.

77. Amazônia: A Guerra na Floresta. Editora Civilização Brasileira, Rio de Janeiro, junho/1992, 329p.

78. Impactos Econômicos da Ocupação da Amazônia e Perspectivas. in Seminário "Alternativas para o Desen­vol­vimento Sustentável da Amazônia", organizado pelo Núcleo de Políticas e Estratégias da Universidade de São Paulo, para o Fórum Global-ECO-92, Rio, 12 de junho de 1992, 5p.

79. Fatores Atuais dos Desequilíbrios e Alternativas de Desenvolvimento na Amazônia Ocidental. Trabalho apre­sentado à Comissão Mista do Congresso Nacional para o Estudo do Desequilíbrio Econômico Inter-Regional Brasileiro, no Auditório da Suframa, Manaus-Am, 3 de setembro de 1992, 41p.

80. A Amazônia e o Terceiro Milênio. Trabalho apresentado ao Fórum Internacional de Direito "O Homem, o Es­tado, a Justiça: Perspectivas do Terceiro Milênio", promovido pela Academia Amazonense de Letras Jurídicas, Faculdade de Direito da Universidade do Amazonas e as Associações de Magistrados, realizado em Manaus-Am, no período de 7 a 11 de dezembro de 1992. Edição xerox, janeiro 1993, 17p.

81. Uma Ocupação Inteligente da Amazônia. Trabalho apresentado ao Fórum Beyond ECO-92: Global Change, The Discourse, The Progression, The Awareness. Patrocínio da Unesco, ISSC, ICSU, Secretaria de Ciência e Tecnologia e Governo do Estado do Amazonas, realizado em Manaus-Am, no período de 10 a 13 de fevereiro de 1993, 5p.

82. Grupo Empresarial Bemol/Fogás: Lembranças e Lições de Vida. Edição xerox, Manaus, novembro 1993, 146p.

83. Fisco e Tributos na Amazônia — 1993. Edição xerox, Manaus, Março 1994, 110p.

84. O Homem e o Rio na Amazônia: uma abordagem eco-sociológica. Trabalho apresentado ao 48° Congresso In­ternacional de Americanistas, Stockholm, Julho 1994 - Edição xerox, 1994, 8p.

85. Os Índios e os Caboclos na Amazônia: uma herança cultural-antropológica. Trabalho apresentado no 48° Con­gresso Internacional de Americanistas, Stockholm, Julho 1994 - Edição xerox, 1994, 13p.

86. Esboço de uma Política e Estratégia para a Amazônia. Edição xerox, Manaus, 1994, 27p.

87. Manáos-do-Amazonas: Memória  Empresarial. Edição Governo do Estado/Universidade do Amazo­nas/Associação Comercial do Amazonas, Manaus, 1994, 373p.

88. Judeus no ciclo da borracha. Trabalho apresentado no I Encontro Brasileiro de Estudos Judaicos da Universi­dade do Rio de Janeiro, no período de 24 a 26 de Outubro de 1994. Edição Imprensa Oficial, Manaus, 1995, 97p.

89. Amazônia Fiscal — 1994: Bonança e Desafios. Edição Imprensa Oficial, Manaus, Janeiro 1995,  192p.

90. Navegação e Transporte na Amazônia. Edição Imprensa Oficial, Manaus, Julho 1995, 80p.

91. Exportação e Exportadores da Amazônia Legal em 1994. Edição Imprensa Oficial, Manaus, Setembro 1995, 80p.

92. Amazônia 95: Paraíso do Fisco e Celeiro de Divisas. Edição reprográfica, Manaus, Março 1996, 142p.

93. Exportação da Amazônia Brasileira — 1995/1994. Edição Universidade do Amazonas, Federação das Indústrias do Amazonas, Federação do Comércio do Amazonas, SEBRAE/Amazonas e Associação Comercial do Amazonas. Manaus, Junho 1996, 199p.

94. Manual de Introdução à Amazônia. Co-edição Universidade do Amazonas, Federação das Indústrias do Amazonas e Assiciação Comercial do Amazonas. Manaus, Agosto 1996, 320p.

95. Exportação da Amazônia Brasileira — 1996/1995. Trabalho apresentado no 49º Congresso Internacional de Americanistas, Quito, Equador, Julho 1997. Edição Universidade do Amazonas e SEBRAE/Amazonas. Manaus, Março 1997, 109p.

96. A Amazônia e o Terceiro Milênio: Antevisão. In “O Brasil no Terceiro Milênio - O Livro da Profecia”, editado pelo Senado Federal, Centro Gráfico CEGRAF, Brasília, 1997, 16p.

97. Amazônia 96 - Fisco e Contribuintes. Edição Universidade do Amazonas, Federação das Indústrias do Amazonas e Associação Comercial do Amazonas. Manaus, Junho 1997, 193p.

98. Zona Franca de Manaus: Pólo de Desenvolvimento Industrial. Edição Universidade do Amazonas, Federação das Indústrias do Amazonas e Associação Comercial do Amazonas. Manaus, Junho 1997, 67p.

99.  Os Últimos Dias de Pompéia: Uma Ladainha e um Novo Modelo para a Zona Franca de    Manaus. Edição reprográfica. Manaus, Dezembro 1997, 23p

100. Amazônia: Formação Social e Cultural. Edição Secretaria de Estado da Cultura e Estudos Amazônicos/Universidade do Amazonas. Editora Valer, Manaus, 1998, 479p.

101. Os Deserdados de Tordesilhas. Edição reprográfica. Manaus, Janeiro 1998, 27p.

102. Eretz Amazônia — Os Judeus na Amazônia. Edição Comité Israelita do Amazonas, Centro Israelita do Pará e Confederação Israelita do Brasil, São Paulo/Rio de Janeiro. Manaus, 1998, 272p.

103. Exportação da Amazônia Brasileira - 1997. Editora Valer. Manaus, 1998, 227p.

104. Amazônia: Quatro Visões Milenaristas. Edição reprográfica. Manaus, 1998, 79p. 2ª edição Banco da Amazônia S/A (Basa). Belém, Maio, 1999, 86p.

105. Um Projeto Econômico, Social, Político e Ambiental para o Gênero Humano. Trabalho apresentado na Conferência Internacional Amazônia no Terceiro Milênio – Atitudes Desejáveis. BSGI, Soka Gakkaim, FUA, INPA, Governo do Estado do Amazonas, Manaus, 21 a 23 de outubro de 1999. Edição reprográfica. Manaus, 1999, 7p.

106. Aula de Despedida, Saudade e Exortação. Faculdade de Direiro da Universidade do Amazonas. Edição reprográfica. Manaus, janeiro de ano 2000, 7 p.

107. Comércio Exterior da Amazônia Brasileira. Edição Universidade do Amazonas/Editora Valer. Manaus, 1999 , 226p.

108. Zênite Ecológico e Nadir Econômico-Social – Análises e Propostas para o Desenvolvimento Sustentável da Amazônia. Editora Valer. Manaus, 2001, 224p.

109. Desenvolvimento Sustentável da Amazônia – Cenários, Perspectivas e Indicadores. Palestra realizada  no Seminário sobre o Potencial Econômico e Tributário da Amazônia, promovido pela Superintendência Regional da Receita Federal – 2ª Região Fiscal, realizado em Belém, no dia 5 de abril de 2001. Edição reprográfica. Manaus, 2001, 158p.

110. Production of Brazilian Rosewood Oil, Copailba Balsam and Tonka Beans. Paper presented to the International Conference on Essential Oils and Aromas. Buenos Aires, Argentina, 11 to 15 November 2001, 33p.

CURRICULUM VITAE - SAMUEL BENCHIMOL

1. DADOS PESSOAIS

 

Nome: SAMUEL ISAAC BENCHIMOL

Nascimento: 13 de julho de 1923, Manaus-Amazonas-Brasil

Filiação: Isaac Israel Benchimol, nascido em Aveiros, no rio Tapajós - 1888 - 1974

Nina Siqueira Benchimol, natural de Tefé, rio Solimões - 1900 - 1980

Identidade: RG-19.355 - SESEG/AM

CPF n° 000.126.532-68

Endereço: Rua Miranda Leão nº 41 - Centro

CEP 69.005-901 - Manaus, Amazonas, Brasil

Fax:: 0055-xx-92-622-1354         E-mail bemol@bemol.com.br

 

 

 

2. FORMAÇÃO E ESPECIALIZAÇÃO

- Curso de Alfabetização na Escola Tobias Barreto, Porto Velho-RO, 1928

- Curso Primário no Colégio Progresso Paraense, Belém-PA, 1929/1932

- Curso de Admissão no Instituto Universitário Amazonense, de José Chevalier, Manaus-AM, 1933

- Curso Secundário pelo antigo Ginásio Amazonense Pedro II, atual Colégio Estadual do Amazonas, Manaus-AM, 1933/1938

- Curso Pré-Jurídico pelo Colégio Dom Bosco, Manaus-AM, 1939/1940

- Curso de Contador pela Escola Técnica de Comércio "Solon de Lucena", Manaus-AM, 1937/1940

- Curso de Preparação de Oficiais de Reserva (NPOR), com estágio no antigo 27° BC, como Aspirante a Oficial, 2° Tenente R-2, Manaus-AM, 1944/1945

- Bacharel em Direito pela Faculdade de Direito do Amazonas, Manaus-AM, 1941/1945

- Curso de Pós-Graduação, stricto sensu, em nível de Mestrado em Sociologia (major) e Economia (minor), em Miami University, Oxford, Ohio, USA, 1946/1947

- Doutor em Direito pela Faculdade de Direito do Amazonas, concurso público, Manaus-AM, 1954

 

3. ATIVIDADES NO MAGISTÉRIO E OUTRAS FUNÇÕES

- Despachante de Bagagens e Passageiros da Panair do Brasil, Manaus-AM, 1940/1943

- Propagandista e Pracista do Laboratório Farmacêutico Sharp & Dohme, Manaus-AM, 1942

- Professor de Geografia e História do Curso de Admissão da Escola Primária Prof. Vicente Blanco (Rua Miranda Leão), Manaus-AM, 1941

- Professor de Economia e História Econômica do Brasil, na Escola Técnica de Comércio "Solon de Lucena", Manaus-AM, 1943/1946

- Professor substituto da Cadeira de Introdução à Ciência do Direito, na Faculdade de Direito do Amazonas, Manaus-AM, 1946

- Instrutor de Português na Miami University, Oxford, Ohio, USA, 1946/1947

- Professor de Sociologia, na Escola de Enfermagem do Amazonas, Manaus-AM, 1948/1949

- Presidente da Comissão Fundadora da Faculdade de Ciências Econômicas do Estado do Amazonas, Manaus-AM, 1953, criada na administração do Governador Plínio Ramos Coelho

- Presidente e Relator da Subcomissão de Crédito e Comércio da Comissão Coordenadora de Subsídios do Estado do Amazonas para o Plano Qüinqüenal da Valorização da Amazônia da SPVEA, Manaus-AM, 1954

- Professor de Introdução à Economia e Repartição da Renda Social, na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1954/1955

- Professor Catedrático de Economia Política, na Faculdade de Direito do Amazonas, por concurso público, Manaus-AM, 1954/1974

- Professor substituto de Ciência das Finanças e Direito Tributário da Faculdade de Direito do Amazonas, Manaus-AM, 1959

- Membro do Conselho Técnico-Administrativo e do Conselho Departamental da Faculdade de Direito do Amazonas, no período de 1960/1975

- Diretor em exercício da Faculdade de Direito do Amazonas, no período de 1971/1975, durante as faltas e impedimentos do titular

- Professor Titular de Introdução à Economia, Departamento de Economia da Faculdade de Estudos Sociais, Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1974/1977

- Professor Titular de Política Fiscal, Departamento de Direito Público da Faculdade de Estudos Sociais, Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1978

- Professor de Introdução à Amazônia, Faculdade de Direito, Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1979/1999

- Membro do Conselho Universitário da Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1965/1966

- Membro do Conselho Consultivo da Comissão de Desenvolvimento Econômico do Amazonas (CODEAMA), Manaus-AM, 1964/1967

- Presidente do Comité Israelita do Amazonas, Manaus-AM, 1975/1985

- Coordenador da Comissão de Documentação e Estudos da Amazônia (CEDEAM) da Universidade do Amazonas, Manaus-AM, 1979/1984

- Conselheiro do Instituto Superior de Estudos da Amazônia (ISEA), Manaus-AM, 1986/1990

- Sócio correspondente do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro (IHGB)

- Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção Amazonas, Inscrição nº 65, de 25 de janeiro de 1946

- Professor Emérito da Universidade do Amazonas, título concedido pelo Egrégio Conselho Universitário e aprovado pelo Magnífico Reitor da Universidade do Amazonas, em sessão de 17 de janeiro de 1998

- Membro do Conselho Consultivo do Governo do Estado do Amazonas, conforme  Decreto 19.564, de 14/01/1999

 

4. ATIVIDADES EMPRESARIAIS

- Vice-Presidente do Banco do Estado do Amazonas, Manaus-AM, 1957/1962

- Diretor da COPAM - Refinaria de Petróleo de Manaus, Manaus-AM, 1962/1968

- Diretor da Associação Comercial do Amazonas, Manaus-AM, 1945/2000

- Um dos fundadores do Grupo Empresarial Bemol/Fogás, Manaus-AM, 1942/2000

UM PROJETO ECONÔMICO, SOCIAL, POLÍTICO E AMBIENTAL PARA O GÊNERO HUMANO

Samuel Benchimol

Professor Emérito da Universidade do Amazonas

Conferência Internacional “Amazônia no Terceiro Milênio - Atitudes Desejáveis”.

BSGI, Soka Gakkaim, FUA, INPA, Governo Estado do Amazonas

Manaus, 21 a 23 de outubro de 1999

 

 

Antigamente aprendia-se nas escolas primárias, nas aulas de Lições de Coisas e História Natural que o mundo era constituído por três reinos: o vegetal, o animal e o mineral.

 

O homem estava, assim, no passado inserido no ecossistema animal como parte do bioma e da biosfera terrestre. Nesse tempo, face à modéstia e ao pequeno poder de destruição do gênero humano foi possível conviver com a natureza, de forma sustentável, e continuar ao longo dos milênios uma coexistência mais ou menos pacífica.

 

O homem, no entanto, distanciou-se dos demais seres do reino animal e dos outros reinos, na medida que a sua inteligência e maturidade foi ganhando e obtendo novas forças e elementos de domínio, poder e destruição. Nesse ponto, ele deixou de pertencer ao gênero animal, passando a constituir, na face da biosfera, uma nova espécie do reino humano. Neste novo reino, o homem passou a dominar e comandar as outras forças e seres vegetais, animais e elementos abióticos através de ações e tecnologias de alto impacto e poder destruidor.

 

Assim se processou a clivagem do reino humano, que se separou do reino animal, vegetal, mineral, pedológico, hídrico, biosférico, gerando com isso ações de domínio e extermínio, propiciadas por tecnologia de alto impacto, poder de destruição e insustentáveis no médio e longo prazo. A cadeia do mutualismo e convivência na face da terra foi rompida com a substituição das formas primitivas de produção, com a descoberta do fogo, invenção do machado de pedra, coleta e apanha dos produtos naturais, invenção da agricultura, domesticação dos animais e outras artes e ergologias menos sustentáveis, que foram se multiplicando a partir da Revolução Industrial até os dias atuais, dominados por todos os artefatos de destruição e bens de alto poder de desordem entrópica.

 

O problema de cissiparidade e clivagem entre o homem e a natureza agravou-se com a introdução de tecnologias agressivas destruidoras do meio ambiente e com a explosão demográfica, que fez a população mundial multiplicar por 4 vezes neste século. No princípio do século éramos: 1,5 bilhão em 1900; 2,0 bilhões em 1927; 3,0 bilhões em 1960 e em 39 anos passamos de 3 para 6,0 bilhões em outubro deste ano. No Brasil éramos 17,4 milhões em 1900 e mais de 160 milhões em 1999. Em 1970 éramos 90 milhões em ação, conforme dizia a música do campeonato de futebol e hoje somos 160 milhões em menos de 30 anos. O pior é que, em termos mundiais, 3 bilhões dessa população vive com cerca de US$ 2,00 por dia e 1,3 bilhão com cerca de US$ 1,00 por dia, o que gera extrema pobreza e indigência, cuja sobrevivência os força a aderir ao processo de degradação do meio ambiente. Na Amazônia, em 1872, a população era de 332.847 - 1.462.000 em 1940, quase dobrando para 2.561.000 em 1960, para chegar aos 18.000.000 em 1996 e, provavelmente 20 milhões no final deste século, com um crescimento médio de 4 a 5 milhões de habitantes por década, devido à migração e a abertura das novas fronteiras econômicas, decorrentes das ligações rodoviárias e do processo de colonização e expansão das fronteiras humanas, que desceram do centro-sul e nordeste para ocupar o arco do escudo sul, do cerrado e da floresta amazônica.

 

Essa grande vaga de população veio agravar a extrema desigualdade entre a pobreza e a riqueza, bem como criar problemas do uso e abuso dos recursos naturais. O pobre polui pela extrema indigência e miséria para sobreviver, destruindo o meio ambiente, a qualquer custo, e causando sérios problemas de saneamento e marginalidade social nas grandes cidades. Os países emergentes poluem pela penúria, enquanto que os desenvolvidos poluem pelo uso de tecnologias altamente produtivas, de custo barato, porém extremamente danosas, agressivas, perigosas e incontroláveis.

 

Deste modo, os países desenvolvidos se tornaram os principais causadores da poluição do ar atmosférico, efeito estufa, chuva ácida, buraco de ozônio, contaminação das águas pelos agrotóxicos e herbicidas, erosão e desertificação dos solos e outras técnicas que fazem aumentar o ritmo da produção à custa da externalização barata dos custos de produção, gerando crises ambientais e perspectivas sombrias para o futuro da vida. O problema se agrava porque  o mundo desenvolvido não quer pagar os custos da internalização de caras tecnologias de manejo florestal, sustentabilidade ambiental e técnicas de baixa densidade de ruptura do meio ambiente e desequilíbrio dos ecossistemas interdependentes.

 

Para mascarar esses desígnios de dominação, os países industrializados criaram planos e políticas para salvação planetária, mantendo as suas tecnologias poluidoras para preservar os empregos, a renda de suas populações e transferindo para o terceiro mundo, com destaque a Amazônia, os ônus da preservação e equilíbrio da biosfera, através do programa denominado PPG7. Nesse plano piloto de proteção das florestas tropicais remanescentes, ficou estabelecido que, em troca de seus minguados auxílios e ajudas de alguns milhões de dólares, emprestados ou doados a governos e instituições tropicais, seria fixada uma política rígida de preservação ambiental, sob o império de um extremado direito penal ecológico, com multas milionárias e criação de um forte aparato policial e apenação criminal, sob o pretexto de salvação planetária ou de ameaças de ocorrências escatológicas de alteração do clima global e da própria sobrevivência do homem atual e das gerações futuras.

 

Esse programa, cuja adesão é necessária, para obtenção de avais, fianças e empréstimos internacionais, ficou implicitamente estabelecido que, na Amazônia, que detém ainda cerca de 80% de sua floresta tropical de 500 milhões de hectares, e no Amazonas com cerca de 97% de sua cobertura vegetal intacta de 150 milhões de hectares, somente poderiam ser praticadas técnicas primitivas de baixa densidade e impacto ambiental, que perpetuasse a natureza e a pobreza.

 

Assim, nesse receituário político caberia à Amazônia apenas atividades primárias de extrativismo de apanha e coleta, atividades florestais não madeireiras, turismo ambiental para venda de paisagem e cantos de pássaros, reservas indígenas, artesanatos, atividades folclóricas, produtos nativos, pesca artesanal, garimpagem, urina de jacaré (para extração de almíscar para perfumaria, segundo a descoberta do biólogo Ronis da Silveira, do INPA), a estranha “vocação cerâmica” (sic), recomendada pelo Ministro Tapias, do Desenvolvimento, áreas de sobrevivência para os povos da floresta, agricultura familiar de sítios e roças comunitárias, prestação de serviços gratuitos da floresta com a sua função de seqüestro do carbono, manejos florestais de custo inviável, reservas ecológicas, em troca da promessa de uma indústria de biologia molecular com base em nossa biodiversidade, cuja constituição e montagem depende de um fortíssimo suporte e retaguarda de uma avançada vanguarda de ciência e tecnologia fortemente entrincheiradas nos redutos universitários e nos laboratórios do primeiro mundo.

 

A manutenção na Amazônia nesse quadro de status quo ex-ante implica naturalmente na aceitação e subordinação passiva do receituário acima que nos é imposto pelo PPG7 e outros organismos financeiros internacionais sob condição de que o comportamento do amazônida continue espartano e primevo, segundo os padrões sacerdotais dos três juramentos: pobreza, castidade e obediência aos paradígmas e padrões impostos de abstenção e uso dos recursos naturais e de submissão aos ditames do poder de gestão e decisão dos nossos destinos, gerados no além e no aquém fronteiras.

 

Chegamos, assim, a um impasse entre produtivistas e naturalistas. Os produtivistas querem produzir a custo menores, desprezando técnicas moderadas e de baixo impacto ambiental, geralmente caras, pouco produtivas, dispendiosas e de longo prazo. Os naturalistas querem preservar a natureza a qualquer custo, evitando a ação predatória da tecnologia moderna, criando santuários e severas leis de prática ambiental. Além disso, a perversa relação de trocas existente entre o mundo industrializado e o subdesenvolvido gerou, com a crise asiática, a redução dos preços das matérias primas, commodities, inclusive a madeira, que teve o seu preço reduzido de US$400 por m3 para US$200 por m3 no mercado internacional. Como se pode manter e promover a sustentabilidade ambiental, quando os preços das matérias primas e commodities desabam no comércio internacional, enquanto que os produtos e bens industriais de alto valor agregado, useiros e veseiros no uso de tecnologias sujas e baratas, aumentam seus preços graças à cartelização das grandes corporações mundiais que as controlam e as ampliam com o atual modelo de globalização corporativa de mercados sem-fronteiras?

 

Cria-se, assim, uma dualidade incompatível e desigual. Produzir em larga escala e a custo menores é sinônimo de poluir o meio ambiente. Conservar ou preservar é impedir a ação dessas técnicas produtivas e, deste modo, regredir para o primitivismo indígena, baseado na coleta e extrativismo de produtos de baixíssimo impacto ecológico, ou para vender paisagens para o ecoturismo. A sinalização de uma economia voltada para a biodiversidade ainda é uma utopia e no estágio atual nos tornaremos apenas fornecedores primários de plantas, raízes e animais que irão gerar, nos laboratórios transnacionais fármacos, produtos médicos de alto valor agregado. Se não houver mudança de consciência e muita ciência a serviço de todos os sócios desta nova empreitada, essa parceria gerará um intercâmbio desigual, ingrato e hipócrita.